Resenha – Sala de aula invertida
por Bruno Lisboa
em 15/03/21

Nota:

Em tempos pandêmicos como estamos a viver muitas áreas foram afetadas, de forma direta. Os impactos foram profundos em diversas searas da sociedade, mas se há alguma área que mereça maior atenção e um olhar mais aprofundando é a da educação. Afinal, com a impossibilidade de seguirmos com as aulas presenciais, toda a comunidade escolar precisou se reinventar. Com isso, foi necessário buscar novas metodologias de ensino para tentar reduzir os danos deste nefasto período.

Porém, antes de falar sobre os novos tempos educacionais é preciso refletir sobre as aulas pré-Covid 19. De modo geral o cenário que víamos era o malfadado formato tradicional do fazer educacional onde as relações de sala de aula eram coordenadas pelo professor, que eram / são orientadas de forma vertical. O educador assume todo o protagonismo do ensino, dizendo o que e como aprender, relegando assim ao aluno o papel de mero ouvinte. A aposta neste formato faz com que ao invés de criarmos alunos capazes de refletir sobre a própria realidade, de forma autônoma, criamos alunos que aprendem de maneira robótica / industrial. Assim, o resultado final faz com que o processo de aprendizagem vire um mero exercício de “aprender para passar”.

Mas aos poucos tem tomado corpo e visibilidade o uso de estratégias que tendem a levar o processo de ensino aprendizagem para respirar novos ares. São as chamadas metodologias ativas. As mesmas têm como principal objetivo inverter e horizontalizar as relações de sala de aula, fazendo com que o aluno tenha protagonismo. Nesse método o professor deve articular ações que orientem / propiciem ao discente encontrar caminhos próprios para o aprendizado, tendo como consequência uma maior participação do ambiente de aprendizado. E, na impossibilidade de retomar os fazeres educacionais de outrora, as metodologias ativas são uma alternativa para suprir as necessidades pontuais desses novos tempos em que vivemos, nos quais as tecnologias começam a mediar relações à distância.

Para educadores atentos às novidades, uma das metodologias ativas mais populares é a sala de aula invertida. A mesma, como o nome sugere, consiste em inverter papéis onde o professor, ao invés de apostar em aulas expositivas, antecipa os conteúdos para que o aluno, dentro do seu tempo e sua realidade, possa estudar os mesmos em casa. Com isso o tempo em sala é otimizado para tirar dúvidas, atividades práticas, trocar experiências, ajudando-o assim a ser protagonista. E é baseado nesta estratégia que os professores Jonathan Bergmann e Aaron Sams escreveram o livro Sala de aula invertida.

De forma didática, os autores trazem à tona suas experiências vivenciadas numa escola interiorana nos EUA, onde fizeram das aulas de química um autêntico laboratório. Entre erros e acertos, os educadores acabaram por apostar que a gravação de vídeos com o conteúdo da próxima aula poderia causar revolução no modo como as aulas poderiam ser conduzidas. E de fato, de forma gradativa conseguiram, conquistar grandes feitos educacionais não só relacionados a já citada autonomia, mas também fazer com que os pais se envolvessem mais na educação dos filhos. Até mesmo alunos que antes tinham dificuldades ou desinteresse para com o conteúdo começaram a ser transformados pela iniciativa, pois com a mudança da didática do ambiente de aprendizagem alunos que antes apresentavam maior dificuldade poderiam ter uma atenção maior de seus professores.

Como dito anteriormente, o modo operacional da educação contemporânea ainda teima em seguir modelos datados da era da Revolução Industrial e para tanto carecem de mudanças estruturais, principalmente após o advento da tecnologia.

O uso de metodologias ativas (como a sala de aula invertida) são uma clara demonstração de que novos caminhos precisam ser trilhados, visando melhorias na interface entre professores, alunos e a sociedade. Se a pandemia trouxe algo de positivo, de certo modo, foi acelerar a guinada para esta necessária mudança. Ainda há muito a ser feito, mas é interessante observar que cada vez mais instrumentos educacionais como esse deixam de ser vistos como métodos alternativos, para se tornarem práticas docentes comuns.

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