Resenha – Sejamos Todos Feministas
por Gabriel
em 11/11/15

Nota:

Sejamos todos feministas

Em tempos de confusão e polêmicas sobre o significado do termo Feminismo ou Feminista, temperadas por uma prova de ENEM e basicamente relacionadas a desinformação, como bem pontuou a Eliane Brum no texto mais compartilhado de todos os tempos da última semana (com o qual não concordo totalmente, mas esse é outro assunto*), eis que recebo de uma amiga este pequeno livreto da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Vale lembrar que estou na empreitada da leitura de autoras mulheres em 2015 ( mais informações sobre o Projeto Leia Mulheres aqui), logo esse tipo de coisa (receber livros) acontece com uma frequência até que razoável.

O livro é uma transcrição de um discurso feito pela autora em 2012 para um TED (evento de palestras conhecido mundialmente), que reproduzo ao final desse post. Ele tem pouco mais de 60 páginas e pode ser lido de uma vez.

Chimamanda Ngozi Adichie é uma das mais importantes e influentes escritoras africanas da atualidade. Seu primeiro romance foi publicado em 2003 e se chama Hibisco Roxo (já resenhado pela Paty aqui no blog – além de também já ter resenhado a obra mais recente da autora: Americanah). Hibisco Roxo foi reconhecido e recebeu alguns prêmios, lançando a carreira da autora. Sua influência desde então só cresceu.

“Sejamos todos feministas” é um relato bem menos asséptico do que um romance. É uma fala de quem realmente presencia uma situação durante toda a sua vida e resolve falar a respeito. O livro até cita conceitos, mas não é esse o ponto; a autora se concentra em falar sobre situações reais, preconceitos e problemas da sociedade ocidental – especificamente a nigeriana. Os pontos são locais, mas a realidade retratada é global: a mulher é vista como inferior.

Chimamanda faz em poucas páginas um apanhado que tem um objetivo bem simples: provar a relevância e adequação do feminismo aos nossos tempos por meio de um empiricismo dos mais ingênuos. Ela simplesmente descreve a sua realidade e o leitor a segue na conclusão de que esta situação precisa de uma luta que a mude. No caso, da luta feminista.

Este é um livreto que serve como introdução, como ponto de partida para que alguém parta dos preconceitos clássicos contra o feminismo (que não preciso reproduzir aqui, dada a abundância em redes sociais e na internet em geral) para um pensamento um pouco mais elaborado. Se os argumentos de Chimamanda não forem convincentes o bastante, pena. Mas para um texto que chegou até mesmo a ser citado em músicas de Beyoncé (na música Flawless), Sejamos Todos Feministas já tem um lugar reservado na história.

*Nota: por que não concordo totalmente com o texto citado? Porque há pessoas que leem um livro desses, assistem um vídeo desses, e continuam se dizendo contra o Feminismo. Nesses casos, atribuir essa reação a “burrice” é simplificar algo que pode ser um pouco mais consciente, e destrutivo, ainda. Pretendo buscar o livro da Márcia Tiburi, citado pela Eliane no texto, para dar mais espaço a essa discussão aqui no blog.

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