Resenha – Sem Minha Filha Não Vou
por Gabriel
em 07/03/15

Nota:

Sem Minha Filha Não VouSem Minha Filha Não Vou é um livro pesado. O encontrei quando busquei por livros de autoras (mulheres) na estante do meu pai, fonte de 90% do que eu resenho aqui. Lá dei de cara com esta obra e a sinopse me chamou a atenção: a história real de uma mulher americana que se casou com um homem iraniano e foi aprisionada por ele no Irã ao viajar de férias.

A sinopse por si só já mostra que esta não é uma obra leve. Mas nada pode preparar o leitor para o tipo de tortura física e psicológica a que Betty (a protagonista) é submetida. Privação de liberdade, submissão a uma religião e regras de vida que não eram as dela, total obediência forçada a seu marido e até mesmo uma relação em que seu marido era considerado legalmente o dono dela e de sua filha.

Todo esse contexto é descrito pelo ponto de vista de uma mulher dos anos 80, com uma cabeça de pessoa comum americana, que simplesmente não conhecia o contexto em que estava inserida. Em cima de tudo isso, Betty ainda convive com a Guerra do Golfo de forma mais próxima que qualquer americano na época.

A ajuda do escritor William Hoffer, especialista em livros desse tipo (segundo o próprio livro), parece ser o grande ponto que diferencia este livro de outros como “Desonrada”, por exemplo, de Mukhtar Mai. Este também é um bom livro, mas que peca na sua execução. Aqui os autores desenvolvem muito melhor suas ideias e proporcionam uma riqueza de detalhes e um aspecto emocional que envolve completamente o leitor.

O choque cultural que a personagem sente em alguns momentos é curioso nos tempos de hoje. Temos muito mais ideias sobre o que acontece no resto do mundo, mesmo que muitas dessas ideias sejam baseadas em preconceitos e em imagens vendidas pelos nossos veículos de mídia preferidos. Mas na década de 80 as informações eram ainda mais restritas e controladas, e uma mulher de classe média como Betty sabia muito pouco sobre a cultura iraniana, mesmo casada com um homem de lá; ou mesmo sobre a política do Irã e a influência americana na região.

Ao longo do livro, percebemos a personagem mudando um pouco a sua visão sobre o que ela começa chamando de “paranoia” dos moradores do país em relação aos Estados Unidos. Mas ela nunca deixa de fato a sua visão patriota de que o país não teria nada a ver com a guerra no Oriente Médio, o que não deixa de ser curioso à luz dos fatos hoje (já que o país se envolvia na época e voltou a se envolver diversas vezes depois, em lados diferentes da mesma guerra).

Sem Minha Filha Não Vou gerou um filme na época em que foi lançado; mas duvido que o filme tenha a mesma presença que o livro (se alguém assistiu e tem opinião a respeito, fiquem à vontade na caixa de comentários). É uma obra muito bem escrita e que passa bem o recado. A protagonista até hoje vive sob outro nome em seu próprio país, o que não deixa de dar um ar atual e assustador ao texto. Ótimo livro descoberto ao acaso e já uma bela consequência do projeto pessoal de ler apenas mulheres em 2015.

 

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5 Comentários em “Resenha – Sem Minha Filha Não Vou”


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Erica em 06.04.2015 às 22:45 Responder

Acabei de assistir o filme nesse momento vim procurar informações sobre a verdadeira Betty,imagino que o livro seja de abalar pois o filme é muito emocionante realmente um verdadeiro milagre estou interessada em ler o livro agora,uma historia de coragem e luta, vale a pena assistir e ler esse livro!

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Leandra Rodrigues em 30.12.2015 às 17:06 Responder

Queria muito ler esse livro, mas não o encontrei em livrarias aonde eu moro. Se souber informar aonde encontro.

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Gabriel Cavalcante em 03.01.2016 às 14:13 Responder

Oi Leandra!
Infelizmente só em sebos mesmo… procurei no estante virtual (estantevirtual.com.br) e não encontrei nenhum sebo que tenha, seria o caso de sair garimpando 🙁

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Jéssica Waltrick em 23.01.2017 às 07:31 Responder

Oi Leandra! tudo bem, então queria saber se já conseguiu comprar o livro:(Nunca sem minha filha)? Eu consegui comprar no Estante Virtual, agora já tem disponível.

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jessica em 23.01.2017 às 07:34 Responder

Eu achei com o nome diferente: (Rapto em Teerão), procura assim que vai encontrar. bjão


 

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