Resenha – Shibumi
por Ragner
em 07/06/12

Nota:

Livro de cabeceira, livro para se levar em uma viagem e livro para nos transportar para um mundo aleatório. Shibumi consegue ser os três tipos e até mais, ele vai além.

Shibumi é uma palavra em japonês que significa: “A essência da beleza – uma espécie rara de perfeição”. Esse é o significado que o autor dispõe na contra-capa do livro e depois de uma ligeira pesquisa, entendo que a palavra tem tudo a ver com a qualidade do que é perfeito. Mas ainda não tenho certeza se é uma palavra inventada pelo autor ou se já era verídica.

Assumo que comprei o livro muito voltado pela contemplação da capa, que acho linda: Um Bonzai e uma katana. Não tinha como não comprar: exposto em uma banca de revista, ao lado daqueles livros femininos, sendo diferente e com um preço extremamente chamativo.

O começo do livro em si não é impactante à maneira de me deixar imóvel, lendo por horas, mas tem alguns aspectos mega interessantes: Uma organização de espionagem é apresentada já no início (me pareceu algo similar a C.I.A.), mas aqui não há bonzinhos, e com o tempo o enredo vai dando as caras, de forma deveras interessante, até chegar no que me levou a gostar MUITO do livro, o protagonista.

Nicholai Hel é um artista, eu não o nomearia como um assassino ou mercenário, como algo frio e calculista. Ele é uma pessoa com um altíssimo senso de dever, honra e atitude e com um elevadíssimo bom gosto. É um gênio, um expert em artes marciais, amante com habilidades sem iguais e detentor do Shibumi. Nascido durante uma guerra e sobrevivente de outra, aprendeu a viver conforme as transformações do mundo a sua volta simplesmente aconteciam ou quando lhe eram impostas (até quando foi preso injustamente, a cadeia não conseguiu sobrepuja-lo, muito pelo contrário). Filho de uma russa e de um alemão, viveu no Japão e foi educado por um general japonês. Hel aprendeu idiomas, dominou algumas artes culturais extraordinárias, e foi consolidando uma percepção de solidão e concentração inigualável. Via corpo e mente como uma coisa só, merecendo respeito sem limites. Enquanto fortalecia uma, contemplava e evoluía o outro.

O livro passeia entre o presente e o passado. Capítulos desfilam entre épocas da história, dedicando alguns momentos especiais na construção do protagonista e evidenciando como as escolhas dele o encaminharam até ser e ter o que é e o que possui, mas apresenta também o lado criminoso da organização e que ela já esteve presente na vida de Nicholai.

Uma oportunidade de reviver os tempos de assassino profissional bate a sua porta, Hel tenta fazer com que essa sombra perversa desapareça, mas depois que um inimigo do passado se mostra presente – personagens responsáveis por um dos momentos mais tenebrosos em sua vida – ele encontra a motivação suficiente para fazer o que ele acredita ser justiça. (típico exemplo de “não mexa com quem está quieto”).

Enquanto o inimigo se mostra importante, cheio de tecnologia, com conhecimentos terroristas e tentáculos pelo mundo, Hel permanece utilizando artifícios rústicos até, que mantem o anonimato suficiente para estar um passo à frente. Mas sua vida pacata e com alguns bons amigos, passa a sofrer represárias e uma ação se torna cada vez mais urgente. O cerco vai se tornando diminuto e perdas acontecem. Nicholai Hel caça seus antagonistas e coloca a prova a afirmação de ser o “Homem mais perigoso do mundo”.

Shibumi é um livro com algumas facetas e várias delas o fez ser um dos meus livros favoritos. Trevanian escreve de forma a criar personagens capazes de te fazer querer participar da trama ou se transformar neles.

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10 Comentários em “Resenha – Shibumi”


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Fabricio Florencio em 27.07.2013 às 00:34 Responder

Shibumi é um livro escrito com riqueza de detalhes, com envolvimento de tecnologia, lado espiritual, natureza, algo de sensualidade, mas é muito além disto, pois retrata facetas do ser humano quando exposto ao seu limite psicológico e físico. Li mais de uma vez e provavelmente lerei mais algumas nos próximos anos. As partes de exploração nas cavernas são incríveis, e os flashbacks dão um tom especial a este livro. Parabéns também pela Resenha.

Ragner
Ragner em 27.07.2013 às 19:38 Responder

Concordo com tudo meu caro. O livro é um dos meus favoritos até hoje e creio que permanecerá por anos mais. Valeu pelo comentário.

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Suélito martins em 04.02.2014 às 02:53 Responder

Encontrei esse livro entre os livros antigos de minha mãe e o li. Até hoje é um dos melhores que já li.

Ragner
Ragner em 04.02.2014 às 11:02 Responder

Está entre meus livros de cabeceira.

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Renata em 10.02.2015 às 22:25 Responder

li esse livro na minha adolescência influenciada por um namorado….confesso que odiei na época o tamanho das letras e a quantidade de páginas, cheia de trabalhos e provas escolares a fazer e o cara queria que lesse “aquilo”. AGRADEÇO A ELE ATÉ HOJE POR ESSE PRESENTE! pois a partir daí meu gosto pela leitura floresceu e refinou-se….SHIBUMI….meu livro predileto!

Ragner
Ragner em 12.02.2015 às 10:07 Responder

Refinamento de forma literária. Gosto dos personagens, da escrita e até hoje releio algumas páginas. Ainda tenho que aprender a jogar Go, kkkkk.

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ROSA MARIA SARAIVA MONTEIRO em 24.10.2016 às 13:32 Responder

Nossa… amei esse livro. Um amigo me presenteou e foi maravilhoso. Nunca mais larguei. Fiz uma mudança e coloquei o mimo em uma caixa, e agora estou tentando lembrar o nome da japonesa que viveu seus últimos dias com Nicolai… você lembra o nome dela? Amei seu blog, coloquei nos meus favoritos. Abraços.

Ragner
Ragner em 24.10.2016 às 14:05 Responder

Shibumi é um dos meus livros favoritos ever. De vez em quando dou uma folheada nele. Enredo e narrativa me conquistaram MUITO.
Se não me engano, o nome da japonesa é Hana.
Grande abraço e que excelente que amou o blog, kkkkkk.

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Monge em 01.05.2017 às 20:37 Responder

Ótima resenha. Gosto do conceito de Shibumi expresso no livro. Gosto dos trechos de Nikolai na prisão. Excelente!

Ragner
Ragner em 02.05.2017 às 14:31 Responder

São meus trechos favoritos também. E o conceito Shibumi é formidável. Valeu pela visita e o comentário.


 

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