Resenha – Sinal vermelho
por Patricia
em 02/12/13

Nota:

Unknown

Steve e sua esposa – Nancy – estão se preparando para uma longa viagem de carro para buscar os filhos em uma colônia de férias em outro Estado. O trânsito está infernal mas Steve não deixa de buscar algo que nesse dia parece essencial: um bar. Ou qualquer lugar que venda álcool.

Apesar dos pedidos de Nancy para que ele se controle, Steve não consegue não tomar um whisky aqui e ali. As brigas começam a ficar evidentes porque ele não consegue evitar comentários passivo-agressivos: a sabedoria popular já diz, o álcool entra e a verdade sai. Depois de 11 anos de casamento, eles parecem aqueles casais de um subúrbio americano juntos (ou presos) apenas pelo fato de que têm filhos.

Quando decide parar uma segunda vez para um trago, a brincadeira fica séria. A discussão acaba escalando e Steve sai do carro deixando Nancy sozinha sem as chaves (já que ela ameaça ir embora e largá-lo lá). Depois de perder a noção do tempo, ele retorna para um carro vazio: Nancy desapareceu.

Achando que ela pegou o ônibus para o acampamento, ele sente uma liberdade como poucas vezes parece ter sentido e acredita que é isso que todo homem almeja e poucos conseguem. Ele se vê como um herói. O cara que conseguiu escapar das rédeas que a maluca da sua mulher constantemente lhe coloca. O leitor embarca com ele enquanto ele relembra momentos nada agradáveis da vida a dois. Seu maior problema é que ele sente que não é tratado como homem o suficiente e acredita que ensinou uma merecida lição à Nancy forçando-a a pegar o ônibus. Ele está livre e em paz.

Aos poucos, a realidade aparece e ele percebe que não há sinal dela em lugar nenhum, que ela simplesmente não o largou lá, que ela sumiu de verdade. Depois de procurar desesperadamente em meio ao seu torpor alcoólico, tentando controlar o que todo mundo vê, Steve descobre que uma mulher foi atacada na noite anterior e levada para o Hospital. A descrição da vítima lhe parece familiar. E mesmo em meio a esse drama todo, ele não consegue evitar de dar uma paradinha para comprar uma garrafa de whisky para ajudá-lo a controlar a tremedeira.

No Hospital, ele vai redescobrir seu relacionamento e seu papel nele em meio a um drama desconhecido até então tanto para ele quanto para sua mulher.

O livro tem bastante conteúdo para menos de 200 páginas. Simenon escreve com facilidade e a leitura flui que é uma beleza. O enredo prende porque Steve é um anti-herói marrento que não espera que ninguém goste dele. O autor nos ajuda com isso usando as memórias de Steve contra ele mesmo, quase. O poder de descrição de Simenon ajuda muito em algumas cenas: é possível sentir a angústia, o nervoso e até a bebedeira dos personagens.

Simenon publicou seu primeiro livro aos 16 anos e ao longo da vida foram mais de 200 obras (dizem que ele chegava a escrever quase 100 páginas por dia). Ele é mais famoso pelos seus livros de detetive com o Comissário Maigret e, no total, as impressões de seus trabalhos somam milhões de cópias. Por tudo isso, fiquei impressionada ao perceber que não conhecia o autor e nunca tinha ouvido falar dele.

Com Sinal vermelho como introdução, fiquei interessada em ler mais coisas do portfólio dele. Apesar de ser um livro curto, eu diria que algumas partes do final poderiam ser melhor editadas. De qualquer maneira, é um livro fácil, rápido e interessante. Uma boa apresentação. 🙂

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