Resenha – Slam
por Ragner
em 01/06/16

Nota:

Slam_Nick_Hornby

Entre as leituras de outros livros, me deparei com esse na escola em que trabalho e de cara me interessei pelo título (que tem a ver com o mundo do skate, mesmo eu sendo mais um entusiasta do que praticante), depois recordei que o autor já deu as caras aqui outras vezes. Nick Hornby já teve dois de seus livros resenhados no Poderoso e senti que chegara minha vez de lê-lo. É um livro com temática juvenil e que foi uma agradável surpresa. Gostei da história de um garoto de 15 anos que entre ídolos idealizados e sentimentos amorosos, vai descobrindo que a vida pode dar alguns “tombos” (slam) que fazem um rebuliço para qualquer um.

Dando uma folheada pude me deparar com a crua realidade da juventude. Me recordei de alguns fatos que eu próprio vivi e acompanhei alguns desfechos que mesmo depois de adulto ainda não presenciei. Slam é um livro que poderia contar a história de qualquer moleque de 15 anos, com suas dúvidas, experiências, desejos, (ir)responsabilidades e idealizações. O enredo nos envolve em um diálogo com o imaginário do garoto. Seu melhor amigo e confidente é a concepção que ele tem de seu maior ídolo (o skatista Tony Hawk em um pôster). Muitos dos atos que comete são debatidos e contextualizados de acordo com a perspectiva do que seria feito pelo ídolo e assim a narrativa vai se desenvolvendo.

Sam é o protagonista, um jovem as vésperas de completar 16 anos. Filho de pais separados (ambos na casa dos trinta e poucos anos), que tem como conselheiro um pôster, Sam conversa com TH diariamente. Compartilha com ele todos seus sonhos e segredos e também pede dicas de como conviver com as dúvidas comuns da idade. Sam é um garoto esperto, que não sabe o que fará na faculdade, mas é bom nas aulas de artes, convive bem com a mãe, mas nem sempre com os namorados dela, e gosta de andar de skate, já tendo aprendido algumas boas manobras. Sam também gosta de Alicia e foi aqui que sua vida começou a tomar um rumo que a mudaria tudo de vez.

Além das más escolhas, decisões equivocadas e atitudes que caracterizam jovens irresponsáveis, as ações de Sam são discutidas por mais de uma ótica sobre o que está acontecendo (ou pode acontecer). Ele conversa com o leitor, dialoga com o pôster de Tony Hawk, tem flashs do futuro (flashforward) e reflete como seria as reações das pessoas que convive com ele. O envolvimento com Alicia é debatido entre as fases de paixão e esfriamento do relacionamento, as conversas com seus amigos e as particularidades de cada um e sua relação com a mãe.

Nick Hornby escreve com facilidade. Ainda quero ler outros livros do autor, mas gostei de ter começado por esse. Gostei do protagonista e sua história cheia de aprendizado e crescimento. Gostei dos personagens que acrescentam traços de rebeldia, comédia e intensidade à trama. Tudo parece bem encaixado e faz com que a história pareça verossímil, como se pudesse acontecer até mesmo comigo. Ponto para Hornby.

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