Resenha – Sobre a escrita
por Patricia
em 16/11/15

Nota:

CAPA-Sobre-a-escrita

 

No começo do ano tive meu primeiro contato com Stephen King através de Novembro de 63. Meu pai sempre teve certa fascinação por ele e quase sempre pede livros de King de presente de Natal e aniversário. Pessoalmente, nunca tive muito interesse em ler os livros do autor porque não sou das maiores fãs de suspense, terror e afins. Novembro de 63, porém, provou para mim que King é muito mais do que apenas um escritor de suspense.

Eis que chega em minhas mãos através da mágica do cartão de crédito e das compras parceladas o livro Sobre a escrita. Nessa obra, King vai falar sobre algo que um autor de mais de 50 best-sellers entende bem: como escrever livros. A proposta não é, de maneira nenhuma, algo novo. Muitos autores ao longo de suas carreiras já comentaram sobre a arte de escrever. O jornal The Guardian, por exemplo, chamou em 2010,  alguns autores aclamados para dividirem dicas sobre escrever ficção.

Ali encontramos comentários como: “Minha regra mais importante é uma que resume todas: se soa como escrita, eu reescrevo.” diz Elmore Leonard, autor que King cita algumas vezes em seu próprio livro. “Sinta a ansiedade – faz parte do trabalho.” diz Roddy Doyle. Anne Enright é bem direta: “Os primeiros 12 anos são os piores”. Richard Ford vai além e já coloca uma lição de vida: “Não tenha filhos.” E Neil Gaiman fecha com chave de ouro com um comentário digno de tios em jantares de família: “Ria das próprias piadas”.

Ou seja, o mundo está cheio de autores talentosos trabalhando e se organizando de um jeito muito individual. Meio que como pessoas normais, mas como são autores acho que “normal” não é uma boa denominação.

Em Sobre a escrita, valendo-se de palavras sábias e do que ele próprio aprendeu, King destila páginas e páginas de conselhos valiosos para aqueles que desejam escrever um livro para chamar de seu. Mas antes ele nos conta um pouco sobre sua própria vida. Os primeiros capítulos são destinados a mostrar como King se tornou escritor: de sua vida na pobreza aos problemas de sua mãe, à ausência do pai, aos empregos terríveis e como suas primeiras idéias surgiram. Como o blurb do próprio The Guardian na capa atesta (e tirando toda a graça da minha tirada que vou escrever mesmo assim): Sobre a escrita é uma pizza bem dividida: meio biografia, meio dicas para autores.

O livro serve a um outro propósito também: para pessoas que gostam de conhecer os bastidores de grandes histórias e personagens, como eu, é bem interessante ver o próprio autor interpretar seu trabalho ou explicar como criou determinada história. Enquanto lia, diversos livros de King que nunca me chamaram a atenção, de repente, me parecem extremamente interessantes. Um exemplo: saber que O iluminado foi inspirado na própria vida do autor que vivia uma fase de alcoolismo com vício em drogas quando escreveu a história, me fez querer ler o livro (apesar de achar o filme sensacional).

Mas Sobre a escrita também é um livro que pode se tornar monótono se você não tem interesse em se tornar escritor. As longas passagens sobre a importância do diálogo e da narração, por exemplo, são cansativas. Para quem resenha livros pode ser uma boa fonte de referências no futuro, ou pelo menos, pretendo usá-lo dessa forma. Para um leitor, esses trechos talvez não tenham muito uso.

Sobre a escrita é bem despretensioso apesar da idéia do livro poder soar um pouco pretensiosa. Esse é um mérito da qualidade de escrita de King. Com a mistura de experiências pessoais e comentários auto-depreciativos, o autor se coloca quase na posição daquele amigo que já terminou a faculdade e quer te dar uma ajuda para terminar a monografia sem que você precise consultar o Zé Moleza. A intenção é boa, a execução fica por sua conta.

Para algumas dicas do autor, dê uma olhadinha nessa lista. 😉

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