Resenha – Talvez você deva conversar com alguém
por Juliana Costa Cunha
em 25/11/20

Nota:

O título desse livro não poderia ser melhor: a sua leitura é, de fato, uma conversa com um terapeuta. Alguém que escolhemos para nos guiar numa jornada de reflexão e autoconhecimento. Em geral, essa escolha não acontece em momentos fácies. Pelo contrário, escolhemos ir a estes profissionais em momentos bem complicados em que, por vezes, nos sentimos perdidas, necessitando de ajuda, de respostas, de acolhimento.

A autora nos coloca tanto como observadores das suas sessões enquanto terapeuta, como observadores das suas sessões enquanto paciente. No primeiro formato, com as realidades e profundas vulnerabilidades expostas dos seus quatro pacientes, a quem somos apresentados e com quem vamos ficando íntimos e solidários. Ela nos leva a refletir e a ter empatia com seus medos, dores, desafios, solidões.

Cada uma dessas pessoas/personagens trazem questionamentos que a maioria de nós carregamos – por motivos diferentes – e que, ao ler a condução das sessões, das reflexões, fui sendo eu mesma guiada para dentro, para autorreflexões. E, confesso, que fui me apegando a cada um deles e suas diferentes jornadas.

É dessa forma que conhecemos Rita, que perto de completar 70 anos se sente profundamente sozinha e depressiva. John, armado de uma couraça que o impede de acessar os mais íntimos sentimentos e que por isso, vive responsabilizando todos os “idiotas” ao seu redor. Julie, que aos 33 anos recebe o diagnóstico de câncer e passa a viver seus últimos anos de vida. E Charlotte, que aos 25 anos sofre de crises de ansiedade que a levam a buscar alívio nas bebidas e nos relacionamentos fugazes. Ao longo das sessões de cada uma/um delas/es, vamos vendo os desafios sendo superados, a vida sendo vivida, as defesas sendo desfeitas e os sorrisos voltando aos rostos. Lori nos conduz pelas sessões trazendo conceitos teóricos, explicando os porquês dos limites da/o terapeuta, e também, como alguns limites podem, e devem ser ultrapassados.

Quando a narrativa nos faz observas Lori, enquanto mulher com seus 40 e pouco anos, mãe, filha, com crises pessoais e profissionais relacionadas ao momento da vida em que se encontra, passamos a perceber a figura humana que a terapeuta carrega em si. Crises tão próximas, ou até mesmo iguais, que suas/seus próprias/os pacientes relatam; expectativas e curiosidades relacionadas ao seu terapeuta – bem como raivas, alegrias, encantamentos que tanto existem na relação paciente-terapeuta. Lori compartilha de forma muito leve, dores e medos bem intensos, se expondo sem medos. Novamente, fazemos terapia junto a ela, rindo, chorando, solidarizando e acolhendo os nossos sentimentos.

Com uma escrita fluida e leve, a autora nos conduz numa narrativa em que ora compartilhamos seu olhar a partir da cadeira da/o terapeuta, ora o seu olhar a partir da cadeira da/o paciente. Ao mesmo tempo que apresenta a sua jornada pessoal/profissional e o que a levou a vir a ser terapeuta.

É um livro que, sobretudo, traz a experiência profunda e libertadora das relações, da fala e da escuta – com o outro, com nós mesmos. Como Lori tão bem coloca: “O que este livro pergunta é: ‘como mudamos?’ e o que ele responde é: ‘Ao nos relacionarmos com os outros’”.

Um livro inspirador e que ao terminar, me deixou a vontade de dar de presente a algumas pessoas queridas e próximas, que sei o quanto irão gostar de ter essas “conversas”.

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Livro enviado pela editora

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