Resenha – The Beastie Boys’s Paul’s Boutique (33 1/3)
por Bruno Lisboa
em 29/09/21

Os Beastie Boys são um dos principais patrimônios culturais da cultura pop. E digo isso sem medo de errar ou estar exagerando. A versatilidade sonora do trio, os versos mordazes carregados de rimas que beiram a perfeição e o enorme sucesso de público /crítica são algumas das qualidades que fizeram com que o grupo entrasse no panteão da história da música, servindo de referência para artistas de ontem e de hoje.

A lista de álbuns classificados como clássicos é grande como prova a sequência matadora de trabalhos como Check your head (1992) , Ill comunicacion (1994), Hello Nasty (1998) onde Ad-Rock, Mike D e MCA colocaram a prova toda a sua versatilidade, feita num caldeirão infindável de gêneros e samples que transcendiam a linha do rap . Porém, todo esse caminho só seria possível se antes, em 1989, o trio rompesse barreiras com o divisor de águas Paul’s Boutique.

Produzido pelo grupo junto aos Dust Brothers (John King e Michael Simpson) e o brasileiro radicado EUA Mario Caldato Jr., Paul’s Boutique mantém, em parte, o clima festeiro da celebrada estreia Licensed to Ill, mas com um olhar para o futuro onde exploraram novas camadas e texturas que resultariam no segundo disco do trio. E para compreender ainda os processos de gravação e composição deste disco, que é um dos discos mais instigantes e ambiciosos da música, temos este livro de Dan LeRoy.

Lançado pela editora Bloomsbory, em 2006, a obra faz parte da série 33 1/3 cujo objetivo é trazer a cada livro a análise de discos marcantes que fizeram parte da história. Em The Beastie Boys Paul’s Boutique, LeRoy faz um trabalho jornalístico de grandeza ao esmiuçar o processo de composição do disco como também traz à tona os embates contratuais que os Beasties enfrentaram na época quando quiserem romper o contrato com Def Jam para poder assinar com a Capitol Records.

E é deveras interessante saber que por mais que o créditos sejam dados ao trio nova-iorquino o time de produtores que trabalhou junto ao grupo foi responsável, em grande parte, pela criação do conceito do álbum que uniu a linguagem das ruas com o conhecimento hermético da música popular em suas mais variadas vertentes.

As letras em si ainda abordavam o clima “a festa nunca termina” do disco de estreia, mas para envelopar este processo foram utilizados como base musical centenas de samples de artistas distintos, de uma maneira nunca antes vista. Para se ter uma ideia o hino “Shake your rump” faz uso de, nada mais nada menos, 11 samples diferentes que vão desde a James Brown a Afrika Bambaataa.

De modo geral Dan LeRoy capta a essência do disco que ajudaria a definir os rumos da música pop nos anos 90 e, a tiracolo, retrata, em parte, a trajetória de um influente grupo que plantou sementes em busca da independência artística e colheu frutos.

O livro ganhou edição nacional via Cobogó e pode ser adquirido aqui.

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