Resenha – The Way of the World
por Gabriel
em 16/11/13

Nota:

The Way of the World

The Way of the World (nome original em inglês, sem tradução para o português) é um livro de autoria de Ron Suskind, jornalista que foi redator sênior de National Affairs (assuntos nacionais dos EUA) do Wall Street Journal.

Suskind é um vencedor do prêmio Pulitzer, uma das mais importantes premiações do meio jornalístico. O prêmio foi concedido devido à publicação de uma série de artigos no Wall Street Journal, depois catalogados em seu primeiro livro, A Hope in the Unseen. O livro discorre sobre um aluno de Washington, D.C., que tenta entrar em uma universidade de elite nos Estados Unidos.

Em The Way of the World, o assunto é outro: Suskind narra as vidas de diversos personagens para refletir sobre as chances de que os Estados Unidos e o mundo muçulmano um dia se entendam. Para que esta reflexão seja possível, os personagens incluem mães americanas, garotos paquistaneses e afegãos em intercâmbios na América, diretores da CIA, advogadas atuando em prol de prisioneiros de Guantánamo e até mesmo Benazir Bhutto, figura política de extrema importância no Paquistão moderno.

Ao abordar temas internos do governo, com informações de fontes jornalísticas, Suskind é de uma exatidão tremenda. Em tempos pré-Wikileaks e grandes vazamentos de informações (o livro é de 2008), o autor se utiliza de fontes jornalísticas de qualidade para revelar fatos que geraram fortes reações à época. O livro fala sobre negociações de terroristas para adquirir armas nucleares, sobre o trabalho feito pela inteligência dos países do Ocidente para evitar o pior e, principalmente, sobre as narrativas que estão por trás do poder de Osama Bin Laden e do ideal americano, este cada vez mais soterrado sob a rejeição que a nação americana provoca no mundo islâmico.

The Way of the World é um trabalho jornalístico indispensável para quem pretende entender a dinâmica das relações internacionais “secretas” americanas e as tentativas de barrar o terrorismo. Suskind cai por vezes em um patriotismo romântico exacerbado, ao destacar uma certa “moral americana perdida” que seria a única forma de salvação da humanidade; isto se junta ao seu claro envolvimento com os personagens, que deixam de ser exemplos dentro da história e se tornam protagonistas de suas próprias tramas. Mas isso não compromete a obra; pelo contrário, faz com que o autor ganhe a simpatia do leitor ao mostrar o ponto de vista de pessoas que, como nós e como os personagens apresentados, são apenas pequenos participantes de uma trama maior e imprevisível.

Para fechar, não poderia deixar de destacar: o livro é cheio de referências a George W. Bush e seu vice-presidente, Dick Cheney, sempre retratados como seres “muito emocionais, pouco dados a números”, que passam por cima de protocolos em nome da obsessão do presidente com o Iraque, principalmente. Os fatos revelados por Suskind acerca da ausência de armas químicas no Iraque (e as circunstâncias sob as quais isso foi descoberto) dizem muito sobre o que foi o governo de Bush e as suas consequências para a dinâmica do mundo.

Infelizmente, o livro ainda não tem versão brasileira. Mas, se o Inglês não for um problema e livros de não-ficção não te causarem arrepios, The Way of the World é essencial. Boa leitura.

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