Resenha – The White Queen (A Rainha Branca)
por Patricia
em 29/04/14

Nota:

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Descobri A Rainha Branca quando uma amiga me deu de presente, por engano, A Rainha Vermelha. Descobrimos que a Rainha Vermelha era continuação de A Rainha Branca e fui atrás do primeiro porque TOC é isso, gente.

Nesse livro, Phillipa Gregory nos apresenta um viés diferente da Guerra das Rosas (chamada assim pois cada casa tinha como símbolo uma rosa: a dos Yorks era branca e a dos Lancasters era vermelha). Por 30 anos, Yorks e Lancasters batalharam pelo trono da Inglaterra. Originadas a partir de descendentes do Rei Edward III (tem que pôr o número ou ninguém sabe qual é), as famílias reclamavam seus direitos ao trono.

O livro é narrado não pelo rei, nem por um soldado, muito menos por alguém ligado à corte (a princípio). Ele é narrado por Elizabeth Woodville que aos 27 anos, com dois filhos pequenos, perdeu o marido em uma das batalhas. Quando o marido morre, sua casa e terra são confiscadas pois ele estava lutando pelo Rei Lancaster que havia perdido o trono. Ela só não está mais à beira da miséria porque seus pais ainda mantém algum status. Sua família defendeu o Rei Lancaster, mas foram perdoados pelo novo Rei, o jovem Edward de York.

Ela precisa agora implorar ao novo Rei que a ajude a conseguir suas terras de volta ou seus filhos crescerão sem nada, já que as propriedades do pai passam para os filhos e não para as filhas. Só que aí o Rei se encanta com ela e ela com ele e…eles casam-se em segredo. Por fim, os Yorks ganham a guerra e Edward pode levar Elizabeth para a corte. Não sem drama, claro.

Primeiro que Elizabeth é ninguém na fila do pão e os reis não devem se misturar com essa gentalha. Segundo porque o Rei já estava “prometido” para uma princesa francesa em um casamento arranjado por seu mentor Warwick (que agora está possesso por perder a influência fortíssima que exercia sobre o Rei). Se fosse no México, ia ser uma das melhores novelas do mundo (depois de A Usurpadora, claro).

O livro é narrado por ela com exceção de alguns poucos capítulos durante uma batalha que temos uma narrativa em terceira pessoa. Mas, no geral, o livro é como um diário de Elizabeth. Além de nos contar a história de seu próprio ponto de vista, temos alguns trechos que evocam a história de uma entidade – pressupõe-se que a família de Elizabeth descende de uma deusa – por parte de mãe. Então temos esse teor de misticismo no enredo, mas nada que afete muito aqueles não curtem muito esse gênero – como eu.

A ‘inovação’ de Gregory está mesmo no fato de narrar uma guerra do ponto de vista de uma das vozes menos ouvidas – a de uma mulher. Ainda que fossem Rainhas, sabemos que historicamente, os casamentos eram meros arranjos políticos de manutenção de poder e poucas Rainhas tinham papéis fortes no Estado (até a Rainha Elizabeth que não é essa, é outra). E ainda que pudessem influenciar seus maridos, filhos, netos, irmãos fora do centro de poder, foram ignoradas em muitas versões da História. Phillipa Gregory entende bem do assunto e já escreveu outros livros sobre quase todas as Rainhas da Dinastia Tudor – até mesmo a famosa, e polêmica, Ana Bolena.

Em 2013, a BBC lançou a série A Rainha Branca inspirada no livro. Assisti a série antes de ler o livro. Por ter 10 capítulos, eles conseguiram incluir ainda mais detalhe e mais pontos de vista. A série é realmente boa. Se você já assistiu a fantástica The Tudors (recomendo!), dá para ver na ordem (A Rainha Branca viria antes). Acredito que haverá algo similar com A Rainha Vermelha.

A Guerra das Rosas inspirou George R.R. Marin a escrever As Crônicas de Gelo e Fogo também. É possível encontrar os pontos específicos de inspiração: as casas que representam respectivas famílias, cada casa com um símbolo próprio; os Lancasters inspiraram os Lannisters e os Yorks, os Starks (não se sabe de onde ele tirou os dragões). Na vida real, quem ganhou foram os Lancasters quando Henry Tudor (um Lancaster mais afastado) derrotou o último rei York e assumiu o poder dando início à longa dinastia Tudor.

A edição que tenho é em inglês e é incrível. As páginas são cortadas irregularmente e parece mesmo um livro antigo. Sem contar a capa que é linda. O nível do inglês é bem tranquilo de ler, não é muito rebuscado. Porém algumas palavras do inglês antigo podem pedir uma pesquisa maior, mas nada que impossibilite a leitura.

A escrita é muito boa e o livro é detalhado, mas às vezes chega a ser um pouco demais. Acabei desenvolvendo uma relação de amor e ódio com Elizabeth que ora é uma personagem forte e cheia de vida, ora uma menina tola e desesperada. Em certos momentos, ela alterna tanto de um lado para outro que tive que dar um tempo do livro. De qualquer forma, é uma nova visão sobre uma guerra que já foi contada diversas vezes por olhos masculinos e cheios de sangue. Dessa vez temos um olhar feminino….e cheio de sangue. 😉

UPDATE: O livro saiu no Brasil pela Record com o título literal de A Rainha Branca. 

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3 Comentários em “Resenha – The White Queen (A Rainha Branca)”


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Juan Silva em 07.05.2014 às 15:11 Responder

Oi, Paty. Tudo bem?

Já ouvi falar muito bem desse livro, e como fã de narrativas nesse estilo fiquei bem curioso. Ainda não lançaram aqui no Brasil, não é? Talvez eu me arrisque em inglês mesmo.

Beijos!

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Paty em 07.05.2014 às 15:59 Responder

Saiu no Brasil, sim. Pela Record com o título a Rainha Branca. Obrigada por me lembrar de ver isso, vou acrescentar na resenha. 😀

Mas leia sim…é uma narrativa interessante de uma época mais interessante ainda da História.
Bjos.

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Carlos Appoloni em 26.12.2018 às 10:28 Responder

Engano no texto: o rei foi Edward IV e não o III.
Vide: https://en.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Woodville


 

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