Resenha – Todo aquele jazz
por Bruno Lisboa
em 10/03/15

Nota:

Certos artistas vivem de maneira tão efêmera e urgente que, por vezes, parece ser muito pouco para nós meros admiradores. Porém, para os gênios (que a cada dia surgem em menor escala) o caráter temporal não existe, pois cada dia vivido representava a plenitude da existência, resultando na grandiosidade artística, mas que é conquistada à duras penas. E é a partir desta breve premissa que Geoff Dyer traça o perfil de ícones jazzistas em Todo aquele Jazz.

Lançado originalmente em 1991 e com reimpressão nacional somente em 2013, a obra é um autêntico retrato intimista da era de ouro do gênero. Oscilando entre elementos biográficos (baseado inicialmente em fotografias) e a ficção, Dyer interfere e ao mesmo tempo presta homenagem artistas como Duke Ellington, Lester Young, Thelonious Monk, Bud Powel, Ben Webster, Chet Baker, Art Pepper e Charles Mingus, músicos do século passado.

A detalhada e criativa escrita do autor captura em minucias as decepções e angústias de homens cuja dolorida vida (dominada por rancor, drogas e amores vãos) serviu como força motriz para a composição de obras primas da melancolia, marca esta inseparável do jazz . Passagens incríveis como a viagem de Duke Ellington pelos EUA, a loucura de Monk em performance ao vivo, a fragilidade e  sensibilidade revelada de Chet Baker são algumas da passagens mais marcantes. Uma abrangente discografia selecionada e um riquíssimo e instigante posfácio fecham o pacote de 240 páginas de puro deleite

Por fim, Todo aquele jazz funciona tanto como aula inaugural para recém iniciados ao gênero como também os já convertidos a essa nobre causa. É uma justa homenagem a prolífica carreira de grandes ícones da música americana que tiveram pouco tempo para ir além do que se desejava, porém deixaram um legado com o peso da eternidade.

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