Resenha – Todos Envolvidos
por Ragner
em 19/04/16

Nota:

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Adoro histórias que misturam dados realistas com situações ficcionais. Por alguma razão que ainda não parei para discutir ou analisar friamente, tal mistura me faz pensar na vida com mais intensidade e crença de que ela vai além do que aparenta simplesmente. E convenhamos, a vida não é simples. Dia a dia o mundo vive em uma correria absurda, celebrando com anjos e enfrentando demônios segundo a segundo. Sempre há algo acontecendo, sempre haverá pessoas passando por momentos ruins ou bons, o mundo não para e não irá parar, independente se ao seu lado estiver tudo em chamas.

Em Todos Envolvidos um fato ocorrido em abril de 1992, em Los Angeles, nos E.U.A., serve de pano de fundo para o enredo. Depois de um tribunal absolver dois policiais brancos pelo assassinato de um jovem negro – Rodney King -, algumas regiões da cidade ardem em chamas. Milhares de prisões e feridos, danos e destruição à propriedades e muitas mortes ocorrem durante a revolta. O acerto de contas entre gangues rivais se tornam inevitáveis, não há respeito a qualquer trégua e a lei parece tirar folga. Los Angeles vira o caos e é aqui que a história de alguns personagens são contadas por eles mesmos.

O livro é dividido em seis partes, seis dias que desenvolvem um enredo que se inicia após o veredicto que liberam dois policiais da acusação de ação truculenta e abuso de força que leva à morte o jovem Rodney. Grande parte da população se revolta contra o que acreditam ter sido um ato racista. Três irmãos começam contando suas histórias, de forma linear, seguindo uma sequência de fatos. Primeiro, o mais velho (Ernesto Vera, que não tem envolvimento algum com gangues), fala um pouco sobre si, como está sendo seu dia, até o momento de seu assassinato – que parece um acerto de contas, depois a irmã do meio (Lupe Vera, “Payasa”, que é peça fundamental em uma gangue), que conta como ficou sabendo sobre o que aconteceu com Ernesto, como descobriu quais foram os responsáveis e como os matou; e depois conhecemos o irmão mais novo (Ray Vera, “Lil Mosco”, que também é de gangue) que conta o que estava fazendo e onde estava, durante os acontecimentos com os irmãos.

No decorrer dos dias, mais integrantes da gangue e de outros lugares vão contando como suas horas e dias passam durante os acontecimentos que deixaram a cidade de Los Angeles em chamas. A história dos três irmãos servem como catalisador para um enredo maior e que nos garante uma narrativa cheia de reações e emoções como se estivéssemos mesmo vivenciando tudo o que ali acontecia. O autor escreve com maestria, conduz tudo com uma realidade surpreendente e os diálogos entre os personagens conseguem fazer com que o leitor possa conviver com os fatos como se não fosse ficção.

Todos Envolvidos merece muito ser lido, sua atmosfera, que nos remete ao ano de 1992, ainda é muito presente. A ficção que nele é factual, nos faz pensar no que acontece de verdade até hoje. Não apenas as guerras de gangues, mas também os crimes de racismo por má conduta policial, algo histórico e que ainda existe com contornos bastante visíveis. Temos como exemplo um filme já resenhado aqui pelo nosso camarada Thiago: Fruitvale Station – A última parada, que escancara outra tragédia causada por excessos policiais, ocorrida em 2008. Exemplos não faltam.

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O livro foi enviado pela editora.

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2 Comentários em “Resenha – Todos Envolvidos”


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Natália em 20.04.2016 às 17:44 Responder

Ótima resenha! Confesso que também adoro a mistura “realidade e ficção”, parece que mexe com a gente, nos tira do lugar comum e nos deixa mais atentos à trama. Aliás, esse é um título que já está na lista de desejos. 😉

Ragner
Ragner em 20.04.2016 às 20:26 Responder

Obrigado Natália! Gosto demais dessa mistura e indico demais o livro. Acredito que vá gostar.


 

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