Resenha – Todos os meus humores
por Juliana Costa Cunha
em 12/03/21

Nota:

Dia Nobre é do Cariri e atualmente reside em Petrolina onde é professora. O Prefácio de Todos os meus humores foi escrito por Jarid Arraes, também do Cariri, e que já passou por aqui no Poderoso. Por essa parceria, pois Jarid também colaborou no processo de escrita de Dia, já acho que dá pra ter uma boa referência.

A autora se baseia na medicina galênica da teoria humoral. Nessa perspectiva a vida era mantida através do equilíbrio entre sangue (coração), fleuma (sistema respiratório), bílis amarela (fígado) e bílis negra (baço). É do equilíbrio entre esses quatro humores, e dessa pressão social por esse equilíbrio, na qual quando não alcançado somos colocados no lugar da loucura, que Dia dividi seu livro em quatro partes: sanguínea, fleumática, colérica e melancólica.

“Na contemporaneidade
Todo mundo
pode ser condenado
Por excesso de semântica
Ou por falta de sintaxe
– a gramática não obedece ao coração”

Difícil, durante a leitura, não se identificar com uma dessas partes. Quem nunca teve oscilações de humor?! Aliás, nós mulheres somos facilmente colocadas nesse lugar da loucura – somos histéricas, temperamentais, depressivas, melancólicas… O que Dia faz nesse livro, é nos falar da poesia que há exatamente nessas oscilações. E que isso, não necessariamente, caracteriza-se como um transtorno de humor. E vai além. Ela nos provoca a pensar. E se for, de fato, um transtorno de humor? Seria isto motivo pra isolamentos e desqualificações diversas?

“Nem santa
nem doida
uma boneca russa”

Em Todos os meus humores lemos sobre um cotidiano poético, mesmo na dor. E a autora, que tem Ana Cristina Cesar como sua grande inspiração, nos conta sobre feminismo, aceitação, volta por cima, violências de gênero, amor lésbico e também lesbofobia.

Um livro que gostei muito de ler e que vem também com ilustrações belíssimas de Layse Almada.

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Livro enviado pela editora

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