Resenha – Trem Noturno Para Lisboa (Reupload)
por Thiago
em 22/10/14

Nota:

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Resolvi começar minhas resenhas e opiniões com o último livro que terminei de ler, não pela qualidade do mesmo ou por estar fresco na memória, mas por ser um livro que me fisgou por vários motivos e isso não é algo fácil. Trem noturno para Lisboa é, a meu ver,  antes de tudo uma viagem pra dentro de nós mesmos.

O autor, Peter Bieri, é suíço e até recentemente foi professor de filosofia em Berlim, entretanto aqui usa seu pseudônimo para o mundo literário, Pascal Mercier. Em minhas pesquisas para saber mais sobre ele descobri que hoje abandonou a docência e se dedica a literatura, e que seu pseudônimo veio para encorajá-lo a se libertar na escrita, pois enquanto professor tinha medo de como sua vida de escritor poderia impactar na sua reputação acadêmica.

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Falando agora do que nos interessa, o livro. Um fenômeno editorial na Europa desde que foi lançado, em 2004 na Alemanha, vendendo milhões de cópias.

O comprei meio que sem saber muito a respeito, até que fui apresentado a Gregorius Mundus, um filólogo e professor universitário em Berna na Suíça e a Amadeu, um médico português, era como se fossem reais e eu os conhecesse. Durante o livro me sentia como um aluno de Gregorius buscando no seu interior coragem para também tomar um “trem noturno para Lisboa”.

Tudo começa em um dia chuvoso e um encontro inesperado perto da estação de trem, onde nosso personagem tem seu primeiro contato com a palavra e a língua, português, e se apaixona pela sonoridade. Uma coisa leva a outra e nosso professor descobre em um sebo um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado. Se esforçando para aprender a língua e meio que sem saber o motivo, se sente tomado por uma vontade de conhecer e saber mais sobre esse escritor. Assim, se levanta no meio da aula e quando percebe está num trem para Lisboa.

Na viagem em busca da história de vida de Amadeu, encontra pessoas que ficaram marcadas por seu relacionamento com esse homem excepcional, que o conheceram como médico, poeta ou combatente da ditadura portuguesa.

O livro, além de ter me feito refletir bastante, me conquistou por questões pessoais. Acabei meses atrás meu mestrado, uma pesquisa acerca de um pensador também envolvido em forças de resistência contra ditadores, entretanto o pensador sobre o qual escarafunchei a vida, tal qual jornalista de revista de fofoca, é francês e ainda está vivo. Quem dera eu ter pego um trem noturno para Paris.

O título acabou virando na Europa uma expressão para mudança de vida. A obsessão de Gregorius pelo médico português, o leva a se questionar e a questionar sua trajetória, diante da figura que foi Amadeu. Assim, o prudente professor, de uma rotina pacata e previsível se e nos surpreende com os rumos que a vida toma e como a ideia de controle sobre algo, principalmente sobre as rédeas do nosso destino ser tão ilusória quanto uma nota de R$3,00.

Enfim, será que somos capazes de mudar? Será que somos capazes de quebrar nossa rotina de forma verdadeira? E o que pode nos trazer conhecer intimamente a vida de outra pessoa a qual nem ao menos somos ligados por parentesco ou que fez parte presencial em nossa vida?

Obs: neste ano (2013) o livro virou filme, mas não estreou por aqui ainda. Tem o duvidoso Jeremy Irons como Gregorius e é dirigido por Bille August, que também dirigiu “A casa dos espíritos”, “Os miseráveis” e “Mandela”.

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1 Comentário em “Resenha – Trem Noturno Para Lisboa (Reupload)”


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Lourdes Martins em 25.05.2019 às 21:39 Responder

Adorei seu comentário.. Vi o filme e minha amiga me falou super bem do filme.. tomara q incentive a leitura!

Obrigada!


 

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