Resenha – Três mestres do Budo
por Thiago
em 15/10/13

Nota:

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Hoje com o fenômeno do MMA (Mix Martial Arts ou Artes Marciais Mistas) e principalmente do atual UFC (Ultimate Fighting Championship), somos através da mídia, bombardeados pela luta como espetáculo e entretenimento. Eu não me lembro de ver algo assim desde a época da dupla do boxe Mike Tyson  e Don King (seu ex empresário). Claro que o UFC original, pela família Gracie e o Pride no Japão foram um sucesso estrondoso, mas não repercutiram em terras tupiniquins como o que acontece hoje. Entretanto, o livro deste post não é sobre o UFC, sua história, ou sobre outras competições de MMA, mas traz a história de três dos mais importantes atletas marciais de todos os tempos. Então, se você gosta e vibra com uma luta, seja de MMA ou um campeonato mundial de judô, acredito que gostará de conhecer esses personagens históricos.

Podemos dizer também que é um livro sobre o Japão e sua cultura após o período Tokugawa (também conhecida como período Edo ou Xogunato, uma ditadura feudal que ocorreu no Japão entre 1603 até 1868)

Até o século XVII, embora tivesse nominalmente um imperador, o arquipélago do Japão estava sob o jugo de diversos senhores feudais que guerreavam entre si. Um deles, Tokugawa Ieyasu, de Mikawa, conseguiu derrotar os demais sob a força das armas e recebeu o título de xogum (comandante) em 1603. A ascensão de Tokugawa centralizou o Estado e organizou a monarquia com base no apoio da aristocracia, equivalendo no Japão ao período do absolutismo europeu. Porém o imperador se encontrava ofuscado pelo xogum, o verdadeiro governante.

Em 1868, o xogunato é abolido no Japão e o poder é devolvido ao imperador, depois de três séculos, abrindo caminho para a implantação de um império constitucional, nos moldes ocidentais, e de uma acelerada industrialização, conhecida como Revolução Meiji.

A era Meiji não nos traz apenas o fim dos xoguns, mas também o fim dos samurais. Com isso, as espadas foram proibidas nas ruas e outras formas de defesa se mostraram necessárias, campo fértil para a proliferação das artes marciais.

John Stevens (sétimo Dan em Aikido) ao escrever “Três mestres do Budo” nos traz uma pequena, mas valorosa biografia dos fundadores do Judô (Kano), Karatê (Funakoshi) e Aikido (Ueshiba) e junto com elas traça um paralelo e examina as diferenças entre esses três grandes artistas.

Aqui estão três homens que você deveria conhecer, quer você goste, pratique uma arte marcial ou não, simplesmente porque eles são grandes mestres do Budo.

Podemos perceber, através da vida destes japoneses, contemporâneos entre si, que o coração de qualquer arte marcial, que é praticada de forma séria, enquanto arte, não é a luta em si, mas sim o Budo. Entretanto o que isso quer dizer? Não explicarei aqui a fundo o termo, apenas uma noção básica.

Budo pode ser entendido como o caminho do guerreiro, afinal, Do quer dizer em japonês caminho e Bu pode ser entendido como guerreiro. Claro que essa palavra carrega um significado bem mais complexo e se faz presente em todas as grandes artes marciais japonesas. Pode ser visto como um código de conduta ou como um caminho espiritual, enfim, é algo que vai além da luta, do esporte.

Volto aqui com um questionamento que fiz na resenha do livro “Trem noturno para Lisboa”: o que pode nos trazer conhece a vida de outra pessoa a qual nem ao menos somos ligados por parentesco ou que fez parte presencial em nossas vidas? Não pretendo ainda responder essa questão aqui, entretanto existem pessoas que são simplesmente grandes, diferenciadas e que vale a pena dedicar um pouco do seu tempo para saber como eles viveram, em que acreditaram, quem ou o que amaram e conhecer o legado que deixaram. E sem a menor dúvida digo que Jigoro Kano, Gichin Funakoshi e Morihei Ueshiba entram com louvor para a lista de seres humanos que você deveria conhecer.

Dos três, Kano, o mais alto (1,62 m), era acima de tudo um intelectual e educador, o livro trabalha com a possibilidade do grande mestre do judô ter sido o homem mais culto de sua época.

O “pequeno” Funakoshi, com seus 1,52 m, considerado o “pai” o Karatê, é marcado no livro pela ideia de perseverança, afinal entre os três era o único que não vinha de uma família rica e, não apenas por esse fator, foi o de maior adversidades na vida e mesmo assim conseguiu afirmar o Karatê como uma nobre arte no Japão daquela época.

Morihei Ueshiba, do alto dos seus 1,57 é uma história totalmente diferente. Enquanto Funakoshi e Kano tentavam apresentar suas técnicas de maneira racional era, e ainda é, impossível compreender os feitos e palavras de Ueshiba utilizando apenas o intelecto. Ele era antes de tudo um místico e via o Aikido como um estudo do espírito.

Minha proposta ao indicar este livro é lhes apresentar três pessoas que admiro e tenho profundo respeito. Não nego a minha maior simpatia por Morihei Ueshiba e sua criação (Aikido). Além disso com este livro podemos enxergar de uma forma mais profundo o mundo das artes marciais e de formas diferentes o Budo.

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2 Comentários em “Resenha – Três mestres do Budo”


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Frank Watanabe em 02.09.2015 às 14:10 Responder

Que bom, estava em dúvida sobre comprar esse livro. Sua resenha me convenceu! Obrigado!

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Thiago em 03.09.2015 às 11:42 Responder

Fico feliz em contribuir,este é um dos meus livros preferidos na vida. Espero que goste!!


 

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