Resenha – Um apartamento em Urano
por Juliana Costa Cunha
em 26/10/20

Nota:

Paul B. Preciado é filósofo, pela universidade de Princeton, tendo sido orientado por Jacques Derrida. Nasceu em Burgos, na Espanha, sob o gênero feminino, recebeu o nome de Beatriz (o B. que hoje é abreviado em seu nome), e tornou-se Paul ao longo de uma longa travessia, que, a julgar por sua inquietação / questionamentos quanto aos gêneros e à sexualidade, está longe de acabar. É um dos expoentes da teoria Queer e tem pautado seus estudos nas questões relacionadas a identidade, gênero, pornografia, arquitetura, feminismo e sexualidade.

Preciado é um ser mutante. É um “dissidente do sistema sexo-gênero” como ele mesmo de denomina. Tem Judith Butler e Foucault como referências. E tem uma linha de pensamento vinculada ao anarquismo em toda sua obra. Esse ser inquieto e andarilho está sempre em construção e desconstrução. Faz de sua vida travessia e transição. E é o tipo de pessoa que veio ao mundo pra colocar o dedo na ferida. Concorde você ou não com ele, ele vai te fazer pensar. E isso por si só, já é muita coisa haja vista os temas que ele se propõe a discutir.

Um apartamento em Urano nos apresenta um pouco desse pensamento efervescente, lúcido e por vezes furioso de Preciado. Nele encontramos uma coletânea de crônicas escritas para o Jornal Libération e publicadas na última década, período em que estava em sua travessia de gênero, tema que também aborda em muitas dessas crônicas.

Mas este não é o único assunto abordado por Preciado. Em sua travessia também há espaço para falar sobre feminismo, sexismo, capitalismo, necropolítica, cidadania, pós-pornô, promoção da igualdade de gênero, respeito às liberdades individuais, arte, entre outros.

Não à toa o prefácio do livro é escrito por Viginie Despentes que, aliás, o faz de modo amoroso e que fala dessa travessia constante do autor e do seu estado constante em fronteira. Segundo Preciado, ele escreve “para um tempo que ainda não aconteceu”. E eu, em muitas das coisas que ele afirma em seus textos, em seu corpo e em sua vida, espero que esse tempo possa acontecer o mais breve possível.

No que diz respeito à leitura deste livro posso dizer que, por se tratar de uma compilação de crônicas escritas a um jornal semanalmente, lê-las de forma sequenciada requer fôlego. Torna-se um pouco cansativo. Não pela escrita do autor ou os temas que aborda em si, mas porque estes são densos. E, embora escritos numa linguagem bem mais acessível que qualquer outro livro do autor, por se tratar de textos voltados a um jornal, não deixam de ser complexos. Então, fica a dica para ler o livro com calma.

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Livro enviado pela editora

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