Resenha – Um copo de cólera
por Patricia
em 14/01/13

Nota:

vol1Um copo de cólera é um livro sobre emoções humanas (sendo objetiva e tentando decidir a expressão correta). Começamos numa casa que não é identificada, com um casal que não conhecemos protagonizando uma intensa noite de sexo.

O fato de não sabermos nada sobre eles (nem seu tipo de relacionamento) traz uma certa liberdade para nossa imaginação: eles podem ser completos estranhos, casados, amantes…o que quisermos. Porque um relacionamento é sempre mais definindo pelos outros do que pelos envolvidos.

Por causa um acontecimento simples, os dois protagonistas começam a discutir de maneira cruel – o tipo de discussão que só acontece entre duas pessoas que se conhecem muito bem, afinal quanto mais conhecemos uma pessoa mais sabemos exatamente onde atacar para doer de verdade.

E é assim que esses dois discutem. Então já sabemos que não eram estranhos antes – não que isso seja explicado em qualquer momento, é tudo dedução do leitor – que já brigaram antes também. Eles se ofendem, se quebram, se desmontam um pelo outro e parecem gostar disso. Esse nível de briga parece ser recorrente nesse relacionamento.

O livro tem um total de quatro capítulos. Os três primeiros são narrados pelo homem e podemos acompanhar como cada palavra dela o fere e o empurra a ações extremas. Porém, o último capítulo é narrado pela mulher. Isso porque em dado momento da briga, ele bate nela (algo que parece excitá-la) e depois eles começam mais uma sessão sexual que ele usa apenas como meio de fazê-la notar o quanto ela gosta dele. É uma crueldade intensa.

Ela vai embora chorando e ele fica na casa, chorando também. Ambos estão despedaçados. Mas ela volta. E é por isso que o último capítulo é narrado por ela..para entendermos (ainda que de forma superficial) porque ela volta.

Um copo de cólera é um lindo livro. Apesar de suas poucas páginas ele deixa claro que não existe receita pronta para relacionamentos funcionarem: alguns usam pitadas de ódio, outros doses cavalares de carência. No caso desses dois, um copo de cólera é a medida que eles usam para a excitação do dia a dia.

A estrutura do livro é algo que eu ainda não tinha encontrado: cada capítulo tem apenas um parágrafo. Se o capítulo tiver duas páginas, serão duas páginas sem ponto final..se tiver 15, a mesma coisa. Ainda assim, nada disso impacta a leitura, ao contrário, imprime um ritmo frenético, mas também pode atrapalhar a pausa da leitura quando necessário. No entanto, estamos falando de 64 páginas – algo que se pode ler ao esperar por um ônibus num dia chuvoso em São Paulo, por exemplo.

E uma obra que sintetiza o que tem de mais bonito na nossa língua – as diferentes formas de odiar e amar alguém.

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