Resenha – Um guia Pussy Riot para o ativismo
por Bruno Lisboa
em 01/07/20

Nota:

Copa do mundo de 2018. Final entre França e Croácia. Aos sete minutos do segundo tempo o jogo é interrompido abruptamente após a invasão de quatro pessoas que adentraram ao gramado a partir do lado do gol francês. O motivo: chamar a atenção das autoridades mundiais contra o governo opressor russo de Vladimir Putin. A autoria deste “atentado” teve a assinatura do coletivo Pussy Riot.

Para quem não as conhece o Pussy Riot era, em sua gênese, um trio de punk rock de garotas feministas russas que ganhou notoriedade local ao protagonizar diversos manifestos no seu país de origem contra o presidente Putin. O grupo é veementemente contra sua política neoliberal, o impedimento das liberdades individuais e defesa irrestrita de bandeiras ultra religiosas.

Porém, em 2012, após um ato realizado na catedral de Cristo Salvador em Moscou, que visava protagonizar uma “oração punk” contra Putin e a igreja ortodoxa, duas integrantes foram presas por quase dois anos. O caso teve repercussão e o fruto desta experiência, somada as suas leituras e estudos, resultaram neste guia para o ativismo.

Lançado por aqui ano passado pela Ubu, na obra temos a voz de Nadya Tolokinnikova, uma das fundadoras do Pussy Riot, que discorre sobre sua formação, a construção de seu ideário ativista, seu tempo na prisão, inspirações e motivações para seguir na luta por um mundo melhor.

Dividida em 10 capítulos (aqui chamadas de “regras”), na obra Nadya traz elementos biográficos de trajetória pessoal, revelando algumas das ações (que orientaram a realização de diversos atos de protesto) e a inspiração a partir de de seus heróis (bell hooks, Martin Luther King, Michel Foucalt, Bernie Sanders…).

De forma amadora (no bom sentido da palavra) a autora disserta, de forma breve e feroz, sobre diversas dores do mundo atuais ligadas não só ao feminismo, mas também ao abordar problemáticas ligadas ao sistema prisional e judicial, a antipsiquiatria e a arte em si.

De forma simples e objetiva, Nadya Tolokonnikova (hoje fora do Pussy Riot que segue na ativa) consegue a partir deste motivador guia incendiar vontades inatas, relacionadas a apatia política, vociferando quanto a necessidade de se mover num mundo em chamas.

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