Resenha – Um homem sem pátria
por Patricia
em 06/04/15

Nota:

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Meu primeiro contato com Vonnegut foi com seu incrível Matadouro 5 – livro em que ele mistura gêneros diversos para contar sua própria história como soldado da 2a Guerra Mundial quando foi feito refém pelos alemães e viu a destruição da cidade de Dresden – destruição até hoje considerada umas das maiores do mundo e sem qualquer tipo de justificativa militar. Fiquei impressionada com a facilidade do autor de flutuar entre os gêneros e ainda conseguir algum tipo de história coesa.

Durante algum tempo, corri atrás de novos livros do autor apenas para descobrir, com certa tristeza, que não existem muitas edições dos livros dele no Brasil. E as que existem são relativamente antigas. A edição que comprei de “Um homem sem pátria” é de 2006. Outros títulos do autor simplesmente não são publicados há mais de 10 anos. Terei que recorrer aos meus amados sebos, portanto.

Em “Um homem sem pátria”, Vonnegut concentra alguns ensaios sobre o que ele fala de melhor: política e humanidade. Com sua visão única e bem ranzinza sobre seu país de nascença – os Estados Unidos – o autor divide com o leitor seus pensamentos mais honestos.

De maneira vezes cômica, vezes profundas, o autor contesta muitas das verdades que via no momento da sociedade norte-americana enquanto escrevia seu livro. Ele critica dos líderes político às comodidades da vida moderna (inclusive alguns comentários sarcásticos sobre a nossa dependência do petróleo). Às vezes, ele consegue deixar tudo isso de lado e brindar o leitor com uma pequena poesia:

“Eu queria que todas as coisas parecessem ter algum sentido, para que pudéssemos ser todos felizes, sim, em vez de tensos. E eu inventei mentiras para que elas parecessem reais e eu transformei este mundo num paraíso.”

Vonnegut traz para a realidade sua visão já marcada por alguém que viu os piores momentos da humanidade na Guerra e em sua própria família já que, quando a família perdeu tudo na época da Depressão, o pai do autor se desesperou e desistiu de tudo e a mãe tornou-se alcoólatra e viciada em pílulas. O pessimismo de Vonnegut vem de muito antes da Guerra, mas acentuou-se quando viu com seus próprios olhos o que o homem pode fazer.

 “Vi a destruição de Dresden. Vi a cidade antes, e então saí de um abrigo antiaéreo e a vi depois, e certamente umas das minhas reações foi a risada. Sabe Deus, é a alma buscando algum alívio.”

O autor foi um grande ativista contra a ganância corporativa e a favor do controle de armas nucleares. E ele é o tipo de pessoa que não se importa de falar suas verdades mesmo que ninguém esteja ouvindo.

“Um homem sem pátria” é um livro curto, para ser lido rapidamente – li em duas horas durante a minha Maratona de Carnaval. A escrita do autor é muito direta e objetiva. Vonnegut não perde tempo com coisas que não considera importante. Ele não enrola para chegar ao seu ponto de vista. Ele simplesmente o entrega ao leitor como quem precisa desabafar sem se importar muito com quem ouve.

Ainda vou caçar mais algumas obras dele. Cada vez que consigo ler algo dele, sinto que preciso conhecer mais. Leia Vonnegut sem restrições.

“Nós poderíamos ter salvado o mundo, se não fôssemos tão preguiçosos.”

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