Resenha – Uma coisa absolutamente fantástica
por Patricia
em 10/12/18

Nota:

“Uma coisa absolutamente fantástica” é o livro de estreia de Hank Green, irmão do autor de diversos best sellers de literatura jovem (John Green) e metade do duo que compõe o Vlogbrothers – canal do Youtube com mais de 3 milhões de seguidores. Os irmãos tem uma ligação com um público específico e faz sentido que seus livros – tanto os de John quanto este de Hank – tenham o público jovem como foco.

Nesta obra, Green nos apresenta a April May – jovem designer que trabalha em uma start-up que cria aplicativos. Em uma madrugada, ela está andando na rua quando nota algo estranho: alguém colocou um robô gigantesco no meio da calçada em um ponto bem movimentado da cidade. Ela chama seu amigo, Andy, que tem um canal no Youtube para que ele possa gravar aquilo e dar a notícia primeiro.

As coisas dão muito certo e April e Andy se vêem no centro de uma situação bizarra: o robô, que April apelida de Carl, na verdade não é o único, pois há outros 63 espalhados pelo mundo, de São Paulo a São Petersburgo. Eles são extremamente pesados e ninguém, em nenhum país, parece conseguir movê-los nem com os equipamentos mais avançados. Quando checam as câmeras da cidade, ela tem um corte de poucos minutos e se escuta a música “Don’t stop me now” do Queen.

O mistério dos Carls vai ficando cada vez mais intricado. Além de lidar com tudo isso, April também precisa lidar com a recente fama por ter sido a primeira a fazer contato com um deles. Ela rapidamente é vista como um autoridade em Carls e seus vídeos recebem milhões de visualizações. Além da atenção e do dinheiro, April também precisa lidar com pessoas que discordam totalmente de sua opinião sobre os Carls e a tratam como uma ameaça estimulando o medo do desconhecido nas pessoas.

A situação não é boa e vai piorar.

A escrita de Green é clara e fácil de acompanhar. Há alguns debates interessantes nas entrelinhas: a facilidade da fama e seu custo (além de seus benefícios); a politização de qualquer coisa que então é usada para avançar uma agenda política que normalmente é violenta e cheia de ódio; e a falta de informação e de noção das pessoas ao defender ou odiar uma ideia sem muito fundamento e base. São mensagens muito boas para o público alvo da obra. É algo que realmente devemos pensar e discutir com mais afinco e menos raiva.

Quanto à questão de literatura, o livro é um pouco cansativo. No começo da história há vários pontos a compreendermos antes de que a visita do Carl fique clara e até entendermos exatamente o que é o que, a historia se arrasta um pouco. Fora isso, a ideia de levantar todas essas questões pode fazer com o que o livro se torne um pouco maçante.

Acima de tudo, temos uma estréia sólida que prova que os irmãos Green entendem sua audiência extremamente bem.

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O livro foi enviado pela editora.

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