Resenha – Vida e obra do plagiário Paulo Francis
por Patricia
em 30/11/12

Nota:

Paulo Francis foi um jornalista rodeado de controvérsias. Neto de alemães, Francis estudou literatura nos Estados Unidos e ao votar ao Brasil se tornou crítico de teatro. De volta, começou a criar intrigas com personagens populares da época. Ao ter sua sexualidade questionada pela atriz Tânia Carrero, por exemplo, Francis publicou que ela havia se prostituído e vendia fotos de si mesma nua para ganhar dinheiro. Ele acabou apanhando duas vezes do marido de Tânia.

Durante a Ditadura, se tornou colunista do Pasquim onde escrevia sem medo sobre seu apoio a idéias esquerdistas. Em 71 exilou-se em Nova Iorque para escapar da censura que constantemente o importunava. A irreverência de Francis era lendária. Ao ser questionado se havia sido torturado pela Ditadura ele respondeu “Sim. O carcereiro passava o dia todo com o rádio tocando Wanderléia.”

Ele tentou se tornar escritor, mas seus livros venderam pouco. À medida que a Ditadura chegava ao fim, Francis se moveu cada vez mais para a direita chegando a dizer que uma Presidência do PT transformaria o Brasil em um Sudão. Encerrou a carreira no Manhattan Connection (programa que ainda existe) atirando críticas para todos – esquerda, mulheres, drogas, Petrobrás e tudo o mais. Pense num Diogo Mainardi dos tempos atuais.

Fernando Jorge, autor de “Vida e Obra do Plagiário Paulo Francis” não parece concordar com os admiradores de Francis. Jorge se propõe a provar por A + B que Francis não tinha idéias originais e que a maior parte de seus trabalhos – se não todos – tinham partes retiradas de obras consagradas de outras pessoas. E não eram citações.

O livro é, obviamente, parcial. O autor usa adjetivos não muito agradáveis para tratar de Francis. A leitura rapidamente se torna sufocante…ódio é uma coisa que sempre me sufoca um pouco. Ainda que o autor vá se justificando, não consigo ler um livro que fale tão mal de uma pessoa de maneira tão descarada o tempo todo – sinto que estou no meio de uma briga muito pessoal. Então, a leitura se tornou complicada já na página 50.

***

Aos poucos vamos entendendo como a coisa toda começou – Paulo Francis e Fernando Jorge têm a mesma profissão. Francis ficou conhecido mais rápido e até hoje coleciona adoradores. Mas não conheço ninguém que saiba quem Jorge Fernando é, digo, Fernando Jorge. A descrição de seu site oficial é “figura que provoca polemica e admiração. Seus premiados livros causam discussões e incitam crítica e público a importantes reflexões.” O mais divertido é que as mesmíssimas palavras podem ser usadas para descrever Paulo Francis.

É tenso!

É uma pena porque pesquisei sobre Fernando Jorge e parece que ele realmente é um bom escritor. Infelizmente, neste livro, isso não fica claro. O autor se perde em opiniões pessoais e, enquanto esbraveja contra Francis, eu só conseguia me sentir mal por ele. Jorge parece querer se aproveitar da enorme fama de Francis para aparecer um pouquinho também. Ninguém ganha assim: nem o leitor, nem o autor e nem seu objeto de ódio.

Aliás, numa tentativa de expor preconceitos de Francis, Jorge se refere aos homossexuais como “bichas, veados e afrescalhados” mas não cita Francis usando essas palavras, ou seja, ridiculamente, seus próprios preconceitos aparecem. Confesso que, nesse momento, eu já não me sentia bem lendo esse livro. Apesar de não conhecer muito sobre Francis, eu realmente queria o mínimo possível de contato com Fernando Jorge. Uma coisa é uma crítica direta e passional, outra, completamente diferente, é criticar com insultos e nomes ridículos (e depois acusar o outro de fazer algo assim).

Eu resumiria o livro assim: dois meninos queriam a mesma menina. Um deles conseguiu – ainda que por pouco tempo – e o outro se dedicou a encontrar erros em tudo o que o primeiro fazia e saia contando para todo mundo para, ao menos, compensar sua dor.

Não perca seu tempo.

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2 Comentários em “Resenha – Vida e obra do plagiário Paulo Francis”


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isaac carneiro em 09.03.2016 às 19:22 Responder

Muito obrigado pelo resumo. Realmente, vi o título e fiquei sem entender. Nunca liguei muito para paulo Francis, apesar de seu relativo sucesso por conta da globo. Quando li o t;titulo não entendi. Realmente, um psiquiatra para um e um hospital para o outro – ou pena, por querer pegar na popularidade dos outros para enganar os outros.

Realmente é cada um que me aparece, e aFolha ainda dá conta. Merece acabar fechando também.

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Patricia em 10.03.2016 às 08:03 Responder

Sim, li o livro pelo mesmo motivo..o título me pareceu estranho. Mas no fim, é extremamente descofortável quando vc espera encontrar pelo menos opiniões sensatas e encontra apenas ódio e, sejamos sinceros, recalque. Complicado.


 

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