Resenha – Xadrez, Truco e Outras Guerras – Ira
por Ragner
em 06/06/14

Nota:

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Plenos Pecados é uma coleção nacional que me chamou atenção há anos, quando foi lançada, mas que acabei lendo somente um livro na época – Inveja – e agora vejo uma oportunidade fantástica de ler os demais livros, pelo menos quase todos. Na escola em que trabalho mais 5 livros estão a minha disposição e só terei que correr atrás de Luxúria – A Casa Dos Budas Ditosos, que já foi resenhada pela camarada Patrícia. A coleção, ao meu ver, é deveras interessante, durante o tempo em que trabalhei em uma livraria, indiquei diversas vezes para leitores iniciantes e iniciados e me recordo muito bem de uma que de cara quis comprar todos de uma vez e que depois voltou para comprar outras.

Cada escritor brasileiro envolvido meio que foi incumbido de escrever sobre uma área que pudesse ter contato ou compreender muito bem. Pelo menos é como observo até então em cada livro (em Inveja, Zuenir Ventura narrou fatos que conhecia e presenciou, e João Ubaldo Ribeiro é conhecido por uma escrita um tanto quanto pornográficas). Depois que ler todos, confirmarei tal suposição.

Em Ira temos uma história contada sobre um reino que consome tal sentimento como um combustível para guerra e que os personagens a entendem como um fato necessário e que nem sempre precisa ser mal. Temos inicialmente uma conversa entre o Rei e o Diplomata que, durante um jogo de truco, discutem sobre a audácia de um Ditador, de um país vizinho, em invadir o reino e tomar uma pequena vila. O Diplomata sugere a negociação, mas o Rei deseja a guerra. A história segue apresentando cada personagem que possui alguma importância.

 

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Temos o General que aprecia a glória e que “Iria à guerra. Não por ira aos inimigos, mas por amor ao renome“. Temos depois o Coronel que “Não iria à guerra por ira ao país vizinho, mas por cobiça de títulos“. Temos o Capitão que “faria não por ira aos inimigos, mas pela vaidade de ser soldado. E também temos o Tenente, o Sargento e o Soldado, todos com suas crenças sobre a guerra e cada um com sua opinião do que representa o dever se servir. E por trás disso tudo temos os mandos e desmandos do Rei, que deseja a guerra “não por ira aos invasores, mas por amor ao poder“.

Grande parte da história é narrada pelo Soldado, a peça mais a frente da guerra. Suas intenções, medos, desejos, apostas, ferimentos, oportunidades, sorte, azar, são contados página à página e tudo vai sendo pontuado com a interpretação sobre o pecado da ira, que não é totalmente tratado como pecado no livro (e pelo visto na coleção toda, os outros também não são). A cada capítulo o autor vai descrevendo momentos e ocasiões que estão expostas nos títulos dos próprios capítulos e assim podemos até mesmo entender o que acontece pela ótica de outros personagens.

O livro é ligeiro e gostoso de se ler, o pano de fundo é a guerra, mas a condição humana é que trabalha bem a ira aqui retratada e consegue ir além desse sentimento, deixando claro como o homem se esquiva da indicação de ira, tentando condicionar suas ações até mesmo para sentimentos mais controversos ou mesquinhos. Como se a Ira não fosse tão ruim assim.

 

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