Resenha – Zorro
por Ragner
em 11/07/12

Nota:

Uma história cheia de aventura e que possibilita um encontro desmitificado com um herói já consagrado pela literatura, televisão e cinema. Eis o que me parece a proposta da escritora: o Zorro, de Allende, cria todo um panorama transbordado de justificativa, conhecimento, realidade e mistério em volta do justiceiro mascarado californiano (que era ídolo do Batman). A obra recria a lenda já consagrada, mas consegue dar uma roupagem diferente, consolidando mais ainda o aspecto heroico do personagem, pois expõe todos os ideais e motivos dele ser quem é.

O livro reconta desde a infância de Diego De La Vega – apresentando todos os momentos necessários para entender as circunstancias que criaram um personagem tão requintado e elegante, com espírito de justiça, aventureiro e rebelde -, com suas primeiras encrencas, seus primeiros anos de peraltice, até a consagração do herói de capa e espada. Somos envolvidos pelo seu nascimento, pela convivência dele com os índios locais e com a aristocracia e percebemos que isso já o prepara para um futuro de rebeldia e a busca pelo que ele entende ser o certo. Com as páginas prosseguindo, entendemos o envolvimento com outro personagem, Bernardo, que não é um simplório empregado como no seriado homônimo. Diego e Bernardo são amigos desde o berço e vivem essa amizade como carne e unha. São como complementares, já que, quando um excede em impulsividade o outro perpetua em moderação.

Já jovem, Diego é enviado à Espanha, acompanhado de Bernardo e a viagem mostra ser mais um ingrediente para a formação de Zorro. Em Barcelona além dos estudos formais, que era a intenção a priori, ele se envolve com uma sociedade secreta denominada “Justiça” e então aprende esgrima de forma magestral e outras formas de defesa. Essa parte do livro é onde ocorrem as maiores aventuras: desde a ida para a Europa com algumas batalhas marítimas; o combate à algumas injustiças em terras espanholas e a tentativa de ajudar desamparados e conhecidos; o envolvimento com a política, onde entende questões de guerra, como uma França tentando subjugar a Espanha e o convívio com ciganos; a fuga para a Califórnia, de onde acredita que possa prestar auxílio à família que o acolheu no antigo continente; até mesmo o retorno, em uma viagem oceânica cheia de perigos e provações, onde ele conhece piratas (entre eles, um em especial que o motiva a usar a roupa tradicional preta, e a ter uma postura que impõe respeito, tanto para homens quanto para mulheres) e a chegada na terra natal onde encontra uma realidade diferente da que deixou para trás e que precisa agir sem pestanejar. Diego utiliza de todo seu conhecimento e inteligência para tirar proveito de todo o contato com outras culturas, e assim aprender um pouco sobre o valor de cada uma, tendo para si, tudo aquilo que possa usar em benefício para sua enorme empreitada.

De volta à Califórnia, Diego começa a atuar como Zorro, junto com seu inseparável companheiro Bernardo, já visando combater a ilegalidade, a soberba dos poderosos e a incompetência manipuladora da lei. Eis que a lenda se concretiza de vez, mas ele aparentemente não está sozinho nessa tarefa. Suas aventuras em solo americano já são bem mais elaboradas e de um grau mais perigoso.

O livro é um deleite para quem gosta do tipo literário que explora aventura, romance, pitadas de humor e que se deixa envolver com o personagem. Indico demais.

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