Revisitando – 1Q84 Livro 1
por Gabriel
em 19/07/14

Nota:

1Q84 Livro 1

 

1Q84 me foi muito bem recomendado por diversas fontes. Aqui no Poderoso a obra já foi resenhada pela Paty, que não se sentiu muito empolgada com a coisa toda. Revisito, portanto, o volume 1 da trilogia japonesa para oferecer um outro ponto de vista.

No idioma japonês, a pronúncia da letra Q é muito próxima à do número 9; por isso, o título deste livro é uma clara alusão à grande obra-prima de George Orwell, 1984. Para quem este nome não diz muita coisa, foi neste romance que Orwell criou o conceito do Grande Irmão (que por sua vez, batizou aquele programa de TV que você adora). O ano é 1984 e as pessoas vivem em um mundo dominado por uma ditadura, em que os fatos são constantemente alterados e a História é trocada de tempos em tempos para refletir os novos interesses dos dominantes.

O autor de 1Q84 se utiliza desta referência e baseia sua história no ano de 1984, mas sem estar na realidade alternativa de Orwell. Aqui, vemos dois personagens que vivem em Tóquio e têm vidas aparentemente pacatas; aos poucos vamos descobrindo os detalhes que os tornam menos convencionais. Aomame é a primeira personagem, uma moça cuja profissão envolve assassinatos e vingança. Sua vida pessoal é discreta e aos poucos vamos entendendo o contexto de sua atuação. Já Tengo é o outro personagem, um professor de matemática que escreve textos para revistas enquanto sonha em escrever e publicar seu próprio romance.  Ele recebe uma proposta de um amigo editor e isso muda a dinâmica de sua vida ao envolve-lo com uma garota misteriosa.

Este primeiro volume da trilogia mostra Aomame e Tengo tocando suas vidas sem se conhecerem. Capítulos são intercalados para cada um dos personagens, narrados em terceira pessoa, enquanto alguns traços coincidentes começam a aparecer. Ao mesmo tempo, a inspiração vinda de Orwell pode ser vista de forma bem tímida. Já referências explícitas a sua obra aparecem em um ou dois momentos, mas não são ainda o bastante para se desenhar uma linha entre os dois roteiros.

Os personagens de 1Q84 são construídos de forma a ter suas camadas descobertas aos poucos. Este primeiro volume da trilogia se dedica a evoluir a história enquanto revela aspectos do presente e do passado dos personagens. Detalhes deixam o roteiro mais surreal e pequenos toques de fantasia aparecem aqui e ali, fazendo com que seja muito difícil saber o que esperar da sequência desta série.

Apesar da referência a Orwell provocar uma expectativa muito alta, Haruki Murakami se sai bem neste primeiro volume ao gerar expectativa e curiosidade do leitor para a sequência de sua trilogia. Estou convencido de que vale a pena seguir em frente; vamos ver o que a mente do autor japonês, um dos mais incensados da atualidade, nos reserva.

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