Revisitando – Alta Fidelidade
por Bruno Lisboa
em 20/07/15

Nota:

alta-fidelidade

Qual o livro o fez tornar um leitor voraz? Qual a obra foi a responsável por fazer com que a leitura, mesmo que por obrigação, deixasse de ser algo  temerário em prol de  algo prazeroso?

Primeiramente confesso: demorei a virar a chave. Diferente do acredito ter acontecido com grande parte dos leitores do Poderoso, o meu lado literário foi despertado “tardiamente”. Nos tempos de escola ler para mim era algo que enrolava ao máximo e, na maioria das vezes, recorria aos famosos resumos de obra tamanha a preguiça ou desleixe.

Somente quando iniciei a minha graduação em Letras, com 23 anos, o gosto o apreço pela leitura veio a tona. E o responsável por este grande feito foi Alta fidelidade. (Que já passou pelo Poderoso).

Na época eu já era um aficcionado pela cultura pop e buscava ansiosamente por um autor que satisfizesse meus anseios nesta seara. Após breve pesquisa, eis que a escrita do inglês Nick Hornby me foi apresentada.

Lançado há 20 anos, Alta fidelidade tem como mote central a história do trintão e fanático musical Rob Fleming, dono de uma loja de discos londrina, cuja vida é virada de ponta cabeça após o termino com Laura, sua namorada. A fatídica separação faz Rob embarcar numa viagem introspectiva que o leva a reencontrar com as cinco maiores responsáveis pelos desastres amorosos de sua vida.

Mesclando doses equilibradas de humor e drama, Hornby entrega de forma madura uma narrativa que acerta em cheio os corações daqueles que, assim como Rob, sentem-se presos a tempos áureos que não voltam mais. Para além dos temas imaturidade e a tentativa de adequação a uma nova realidade, o autor promove através de sua escrita um autêntico discurso em prol da cultura pop. E talvez este seja o grande trunfo da obra.

A medida em rememora tempos passados junto aos seus comparsas, Dick e Barry que também trabalham na loja, Hornby permeia a narrativa com citações inúmeras a canções, filmes e discos, características estas que conquistariam identificação imediata do leitor que, tal como o personagem central, foram completamente influenciados por elementos culturais.

O sucesso da obra (que alcançou a marca de mais um milhão de cópias mundialmente) fez com que a mesma ganhasse duas adaptações para estados da arte diferentes: no cinema com a direção de Stephen Frears e A vida é cheia de som e fúria, versão teatral criada por Felipe Hirsch.

Hornby segue com a carreira a todo vapor, intercalando trabalhos direcionados à sétima arte (hoje ele é um roteirista de sucesso idealizador de filmes como Livre e Educação) ou na literatura (recentemente lançou seu sétimo romance Funny Girl), mas até hoje sua obra de maior referência é este clássico romance geracional chamado Alta Fidelidade.

Postado em: Revisitando
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Revisitando – Alta Fidelidade”


 

Comentar