Revisitando – Batman vs. Superman – A origem da justiça
por Bruno Lisboa
em 01/04/16

Nota:

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De uns tempos para cá os filmes de super-heróis tem dominado cinemas mundo a fora e agora, com mais ímpeto, o universo das séries televisas. Este fenômeno em massa em muito se deu devido a indústria perceber a necessidade de associar conteúdo e entretenimento num mesmo produto. E nada melhor que explorar o universo dos quadrinhos para isso.

O início desta safra começou nos anos 90 quando Tim Burton assumiu a direção de dois filmes sobre Batman, conquistando elogios de público e crítica. O movimento das adaptações atingiu o seu ápice quando Bryan Singer, já nos anos 2000, trouxe para as massas de maneira louvável os X-Men para a grande tela. Ambas empreitadas que acabaram por gerar e fundamentar o delírio coletivo que vemos hoje nesta seara.

Como reflexo desta era cada vez mais industrial do cinema, filmes deste gênero, que antes eram produzidos de maneira esporádica e espaçada, agora surgem a torto e a direito a cada semestre. Visando atender a grande demanda, este fator, infelizmente, fez com que a qualidade antes atingida caísse vertiginosamente. E Batman vs. Superman – A origem da justiça acaba por entrar pro hall dos fiascos.

Dirigido por Zack Snyder, o diretor (que teve início promissor com o remake de Madrugada dos mortos e 300 de Esparta, mas que vem metendo os pés pelas mãos desde Watchmen) novamente aposta numa direção megalomaníaca recheada de efeitos visuais grandiosos, com uso exaustivo do recurso da câmera lenta e de uma fotografia chapada,  marcas de seu cinema eu sei, mas a recorrência destes recursos faz com que Snyder torne-se refém de seu próprio sistema, sem promover novidades.

O problemático roteiro de David S. Goyer (veterano roteirista, responsável pela trilogia do Cavaleiro das Trevas) tem como mote central relevar o embate de forças ideológicas entre os heróis, coagidos pelo vilão Lex Luthor. Porém, o mesmo  apresenta falhas estruturais grosseiras, mal resolvidas ou trabalhadas porcamente, que chega a ser vergonhosa certas escolhas.

Como exemplo, para que retomar a história de Batman a partir de seus primórdios? É compreensível este recurso em Batman Begins, pois a distância temporal entre o Batman de Burton (1989) e o de Nolan (2005) são de 16 anos. Não estaria a geração que assistiu a segunda trilogia já familiarizada com a mesma? Com 153 minutos de duração (!), o resultado final é insosso e longo por demais. Visivelmente, o trabalho de Chris Terrio (premiado roteirista por Argo, contratado para reescrever a narrativa) fora em vão.

Com texto e direção ruins, o elenco fica sem referência para exercer um bom trabalho. As atuações, sempre canastronas, de Henry Cavill e Ben Affleck vão de encontro ao desperdício de ver atores talentosos como Jesse Eisenberg (pífio, afetado e risível), Jeremy Irons, Laurence Fishburne, Amy Adams e Diane Lane que atuam de maneira apagada, sem brilho habitual de suas presenças.

Se há algum ponto positivo é a instigante presença da Mulher Maravilha (Gal Gadot) que rouba a cena aos 45 do segundo tempo. Mas já era tarde.

Batman vs. Superman – A origem da justiça entre para o “seleto” hall de decepções como X-men 3 ( e o também horroroso Dias de um futuro esquecido), Homem de ferro 3, Vingadores 2 (isto só para ficar em exemplos de franquias recentes). Obras que são mero reflexo da indústria cultural de hoje que produz o cinema fast food e público consome como a refeição mais saudável e saborosa do mundo.

A culpa da existência de bombas como essa é tanto minha quanto sua.

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