Revisitando – Chapeuzinho esfarrapado
por Thiago
em 15/03/17

Nota:

 

Temos aqui um livro leve e agradável pra mim, pra você não sei, pode ser ofensivo e pesado. A Paty já o resenhou aqui também. Chapeuzinho esfarrapado e outros contos feministas do folclore mundial vem com o intuito de atropelar tabus. Falando nisso você sabe o que é um tabu?

“Tabu” é um termo de origem polinésia que significa “interdito”, ou seja, “proibido”. Em algumas culturas, acredita-se que a violação de um tabu leve a uma maldição, a uma punição divina. É como se certos assuntos, ou comportamentos, gerassem mau agouro, o que os tornaria moralmente inaceitáveis. Na contemporaneidade, essa proibição vem perdendo seu caráter sagrado, mas a ideia punitiva permanece. Os tabus não estão mais intrinsecamente relacionados a questões míticas e fantasiosas, mas a algo real que, por motivos imprecisos, insistimos em negar ou condenar. Cada grupo social tem seus tabus, e os indivíduos que os quebram podem acabar marginalizados.

O que torna um assunto ou comportamento tabu está diretamente relacionado à moral, ou seja, à noção do que é tomado como certo e errado em determinado grupo. No entanto, é extremamente importante não perder de vista que a moral varia de acordo com o tempo e com o espaço, o que leva grupos de diferentes épocas e regiões a conviverem com regras também distintas. É nesse ponto que se instaura o conflito: temas como liberdade religiosa, direitos da mulher, orientação sexual, ideologia de gênero, igualdade racial e ascensão de classes, muitas vezes, são intolerados ou considerados transgressores por transformarem o padrão aceito dentro de um grupo.

A pensadora existencialista e reconhecidamente feminista Simone de Beauvoir apresenta, em Por uma moral da ambiguidade (Paz e Terra, 1947), a ideia de que nascemos em um mundo dado, e que somos livres para sermos o que quisermos – ainda que indo contra o que é considerado moralmente correto nesse mundo –, mas também somos livres para acatar o que é estabelecido. Considerando a ambivalência apresentada por Beauvoir, podemos dizer que cabe à escola permitir àqueles que dela fazem parte escolher entre agarrar-se às inúmeras possibilidades do ser ou simplesmente permanecer com o que o mundo dado fornece.

Voltando ao livro, ele traz histórias do mundo todo onde a mulher é o personagem forte, as heroínas, as que vencem desafios e derrubam barreiras. São ao todo 25 contos com características mitológicas, onde explicam a criação de algo. Após cada conto há uma explicação sobre sua origem.

Eu poderia falar sobre cada história, mas ai o texto ficaria maior do que já está, entretanto quero recomendar o meu preferido: Três mulheres fortes.

Este livro é para todos. Se tem filhos, irmãos ou qualquer criança, pré adolescente ou adolescente, menino ou menina, indique ou os presenteie com este livro. Se tiver um amigo ou parente machista dê pra ele este livro, não pra provocar, mas para o saudável exercício de derrubar tabus e quebrar paradigmas.

A editora Seguinte, que faz parte do grupo Companhia das Letras (nosso parceiro) está de parabéns por nos trazer livros tão importantes quanto este. Esperando por mais livros similares, pois histórias assim podem fazer do nosso mundo um lugar melhor.

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Livro enviado pela editora

 

 

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