Revisitando – Feliz Ano Velho
por Thiago
em 08/03/16

Nota:

feliz ano velho capa

Fico muito feliz com a reedição de 2015, pela editora Alfaguara, de um dos mais importantes livros nacionais que já li. A reedição vem para acompanhar “Ainda estou aqui”, último livro de Marcelo Rubens Paiva, lançado ano passado (2015), que de certa forma continua ou complementa a história da família Paiva. A capa, feita por Alceu Chiesorin Nunes, ficou linda, seguindo o mesmo estilo do livro sequência.

O livro já foi resenha aqui mesmo pouco tempo atrás, pela Patrícia (que não gostou tanto da obra), trabalhado em escolas, aclamado pela crítica, premiado, e por isso mesmo quero fazer uma resenha um pouco diferente. Pretendo aqui ressaltar a importância deste livro para a juventude atual.

Como alguns que já leram outros textos meus aqui podem ter percebido, sou professor de filosofia e sociologia. Tenho uma mania que não sei se é minha ou da profissão: olho pros meus alunos e penso em filmes e livros que eles deveriam ler e este é um dos que mais me vem a cabeça.

Antes de explicar os motivos vamos a uma breve sinopse, pra aqueles que não fazem a mínima ideia sobre que livro estou falando possam se situar:

“Publicado originalmente em 1982, o livro é um relato verdadeiro do acidente que deixou Marcelo tetraplégico, a poucos dias do Natal de 1979. Jovem paulista de classe média alta, vida boa, muitas namoradas, estudante de Engenharia Agrícola na Unicamp, ele vê sua vida se transformar num pesadelo em questão de segundos. Durante um passeio com um grupo de amigos, Marcelo, de farra, resolve dar um mergulho no lago. Meio metro de profundidade. Uma vértebra quebrada. O corpo não responde. Começa ali, naquele mergulho, a história de Feliz Ano Velho.”

O livro é escrito em linguagem mais informal, algo que condiz com uma auto biografia tão visceral quanto esta. Entretanto o que faz desta história algo tão importante? Não, não é sua escrita primorosa ou técnica, é algo que esta para além da forma. Marcelo se desnudou neste livro, é uma história linda por ser genuína. Além disso hoje vivemos uma época onde as pessoas demonstram mais dificuldade em aceitar aquilo que é diferente do já pré estabelecido, e creio eu que tal leitura pode auxiliar muito quem tem esta dificuldade.

O leitor que se dispor ao envolvimento com as páginas do livro fará um forte exercício de empatia. Aliás, vocês sabem o que é empatia? Algo tão raro de se ver por aí, caso não saiba ponho a definição de dicionário aqui: ” …Na psicanálise, estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, presumindo sentir o que esta está sentindo.” Fonte: Michaelis.

Neste exercício de empatia em relação a dor do outro, no caso um outro que se tornou um deficiente físico em um Brasil ainda em período de ditadura, mesmo que em seus últimos anos. Ainda hoje cadeirantes passam por muitas dificuldades e lutam pela inclusão social, imagine em 1979; melhor dizendo, leia como era neste período.

Prosseguindo com as benesses deste livro, levanto mais duas. A primeira é um bom relato do período e a segunda é sobre a vida e o que vale a pena, sobre nossas prioridades, escolhas e ações.

Se a leitura de “Feliz ano velho” não te levar a reflexão sobre sua vida ou ao menos não te emocionar, juro, há algo muito errado com você. Dessa vez não é uma opinião vinda do meu suvaco, e sim algo bem sério. Se nenhuma emoção ou relfexão ocorrer aí dentro, há contigo algum problema em relação a empatia. Entretanto não se preocupe, você não estará sozinho com esta questão. Melhor dizendo, se preocupe sim.

Boa leitura a todos!!!

Marcelo-Rubens-Paiva-2

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O livro foi enviado pela editora.

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