Revisitando – Homens elegantes
por Thiago
em 08/03/17

Nota:

 

Homens elegantes é o último livro do gaúcho Samir Machado de Machado, uma obra que vale ser lida, e que já foi resenhada aqui pelo Bruno.

 

 

A princípio temos um misto de romance histórico com um caso de investigação policial. Uma apreensão de livros de conteúdo erótico é realizada na cidade do Rio de Janeiro do século XVIII, um homem morto dentro de um barril é encontrado na Lisboa da mesma época e pronto, temos um caso.

Somos então apresentados a Érico Borges, um soldado brasileiro que é enviado a Londres para dar continuidade ao misterioso caso do carregamento de livros eróticos, e é por ele que temos uma história. Nosso herói é simplesmente incrível, é lindo, ótimo espião, bom de briga, bom físico, alguém a se admirar, o autêntico mocinho. Nesta narrativa, que é uma viagem bem ambientada a Londres do século XVIII, podemos notar muitas referências a literatura nacional e internacional, como Thomas Pynchon e Érico Veríssimo, além de diversos elementos da cultura pop, que vão de vídeo games à James Bond, muitas dessas referências podem ser notadas na construção do soldado Érico.

Um ponto interessante deste livro é a construção da sociedade daquela época, através das identidades nacionais, da cultura, dos valores e da facilmente notada esfera social, política e econômica, e sua relação direta com a trama. Caso você seja um leitor atento poderá notar nesta construção uma certa atemporalidade e uma relação com nossos dias, com o Brasil de agora. Afinal, surge uma sociedade machista, racista, homofóbica e com a marca da segregação social. Será que essas coisas soam familiares em uma trama conspirada por um tal Conde Bolsonaro (ri muito na hora que li, não sei se há ligação, mas…).

O que não gostei do livro é que em certas partes ele se torna moroso, com descrições intermináveis. Entendo que é um recurso importante e muito usado em romances históricos, entretanto se usado em excesso perde a graça, tal qual o sal, sem ele tudo é sem graça, mas em excesso não dá pra comer. Esta característica tornou minha leitura lenta e cansativa.

Agora há 4 pontos que quero ressaltar como positivos e que me encantaram. Primeiro a mistura de um romance histórico com um romance policial, pois sou alucinado por estes dois estilos. O segundo ponto é a ótima ambientação feita, a viagem à Londres é muito bem estruturada. O terceiro é a relação do passado com o presente enquanto crítica social. O último ponto, que faz o livro ter um diferencial fantástico, é mais uma característica do soldado Érico Borges, ele é assumidamente homossexual. Assim, na construção de seus personagens, Samir nos traz uma história que protesta contra os antigos e terríveis costumes heteronormativos de nossa sociedade. Normalmente o mocinho é hétero e termina com a mocinha, normalmente o mocinho tem todas as caraterísticas de Érico, mas esta não é uma história normal, é um livro que veio pra quebrar paradigmas.

Vale também dizer que a edição da nossa parceira Rocco está belíssima!!

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Livro enviado pela editora

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