Revisitando – Jogo de Poder
por Gabriel
em 05/08/15

Nota:

Jogo de Poder

Três anos depois da Paty, revisito um livro sobre o qual ela já falou. Coincidência? Na verdade não, veio em uma pilha de recomendações dela mesmo, junto com outros recomendados para o meu ano de Leia Mulheres. Na dúvida, leiam as duas resenhas!

Valerie Plame Wilson é a autora de um livro sobre sua própria vida. Não a vida toda, mas apenas seus 15 minutos de fama – que duraram alguns anos. O subtítulo do livro é “como uma espiã do alto escalão da CIA foi traída pelo seu próprio governo” e isso resume mais ou menos o livro todo.

Plame era uma agente da CIA. Mais uma agente secreta entre sabe-se lá quantos mantidos pela agência de inteligência americana no mundo todo. Sua carreira de muitos anos era meteórica, até que um dia um editorial do Washington Post resolveu acabar com sua fachada e revelar seu nome verdadeiro. O motivo alegado? Conflitos de interesse envolvendo seu marido e uma missão ao Níger, país em que o Iraque estaria comprando armas químicas. A época? 2003, em meio ao furor do governo federal americano para invadir o país do Oriente Médio.

A agente atuava justamente na divisão que buscava impedir a proliferação de armas de destruição em massa, mas foi tragada para o olho do furacão quando essa revelação praticamente parou sua carreira na CIA e a fez entrar na linha de tiro de um governo federal tão poderoso como inescrupuloso como o americano da época. Em meio a tudo isso, sua vida familiar e conjugal continuava acontecendo em meio a cada vez mais dificuldades.

O livro é escrito com um ritmo e um estilo leves, apesar de não apresentar nenhum brilhantismo nesse quesito. É uma leitura agradável de forma geral. Pessoalmente, o que mais me incomodou foram as marcas de censura que aparecem no texto de quando em quando, também já destacadas pela Paty em sua resenha:

405152_303322646375837_1405848146_nEssas marcas vêm da revisão da CIA sobre o livro, mas em vários momentos acabam por quebrar a narrativa e prejudicar o que poderia ser uma grande história. Ao final da edição brasileira há um posfácio, escrito pela jornalista Laura Rozen, que ajuda a compreender alguns aspectos do contexto e da vida de Valerie. Mas isso não preenche algumas lacunas e não substitui o que poderia ter sido a experiência de ler a informação real no momento em que ela se encaixava na história.

Talvez a melhor forma de lidar com as censuras teria sido reescrever o livro sem os trechos, porém o decorrer da história deixa claro que isso não seria tão simples. Uma pena.

Jogo de Poder vale menos por seu formato ou pretensão literária e mais pela história vivida por Valerie. Alguns momentos lembram O Processo de Kafka, só que aconteceram há pouco mais de 10 anos. A postura da administração federal americana à época faz os personagens de House of Cards parecerem muito familiares e o clima de conspiração é presente por toda a narrativa. É com certeza um escândalo inacreditável e que ajuda a entender porque, hoje, a guerra travada pelos Estados Unidos no Iraque à época é vista como tão desastrosa.

 

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