Revisitando – Morte Súbita
por Gabriel
em 20/10/15

Nota:

Morte Súbita

 

Vamos lá, revisitar esta belezinha! Como já adiantou a Paty há um tempo (quase 2 anos), este livro merece bem dadas 5 xícaras de café. Trata-se da primeira obra para adultos da autora de nada mais nada menos que Harry Potter, J. K. Rowling. E mais um livro que passou pelas minhas mãos dentro da ideia de ler somente obras escritas por mulheres em 2015.

Como alguém que foi completamente viciado em Harry Potter nos tempos em que a série estava sendo publicada, parti para a leitura de Morte Súbita com alta expectativa; porém, ao mesmo tempo tentava dosar este sentimento. Afinal, a hipótese de que Rowling fosse mais uma grande “artista de uma obra só” não podia ser descartada – havia bons relatos a respeito, mas nunca se sabe o quanto os fanboys e fangirls estão apenas sendo fanboys e fangirls (nada pessoal, Paty! Hahaha).

Pesando tudo isso, abri o calhamaço e comecei a ler suas 500 páginas. E de repente, lá estava eu de novo. Querendo levar o livro pra ler enquanto escovo os dentes, querendo aproveitar cada 2 minutos livres que apareciam durante a viagem de feriado, quase perdendo o ponto do ônibus, me preocupando pessoalmente com o destino de um ou outro personagem… aquelas coisas típicas de quem está viciado num livro.

Definitivamente J. K. Rowling tem um belo pacto com alguma entidade sobrenatural; ou isso ou a autora realmente sabe criar personagens, dar a eles aspectos que você reconheceria em pessoas reais, descrever situações com sensações e palavras bem escolhidas, criar tramas bem amarradas e lidar com clímax e anticlímax como poucos. Apesar de mais verossímil, essa segunda opção tem muito menos apelo e potencial para polêmicas. Uma pena.

Morte Súbita é um belo livro. Rowling usa um micromundo (a pequena cidade de Pagford, no Reino Unido) e um acontecimento (a morte do conselheiro distrital Barry Fairbrother) para colocar em pauta diversos aspectos da sociedade: notadamente a política, as ideologias e visões de mundo, pontuadas pelas situações comuns da vida de todos os seres humanos. Isso tudo é feito com uma linguagem que mantém a ligação com seu estilo – apresentado na série Harry Potter – mas rompe com as amarras que o infanto-juvenil tornava obrigatórias. O resultado é uma obra que prende, tem dinâmica e “ganchos” dignos de séries de TV.

Em termos de forma, a autora optou por uma narração bem atrelada ao tempo, em que poucos flashbacks acontecem, e em que os personagens se revezam. Vemos, portanto, a história acontecer sob o ponto de vista de diversos de seus participantes, cada um com sua bagagem e visões de mundo. E vemos a luta política de Pagford, que envolve um bairro pobre e uma clínica de reabilitação, acontecer enquanto seus moradores tentam desenvolver suas vidas.

A escolha de uma pequena e provinciana cidade para tratar de tema tão espinhoso é seu grande trunfo, já que as ligações pessoais, convicções e interesses de cada personagem podem assim ser expostos de forma mais direta. Ainda assim, as entrelinhas têm muito a dizer em Morte Súbita, que por isso mesmo torna-se um prato cheio para os que se deliciam com os meandros da política.

A julgar por Morte Súbita, Rowling tem muito o que produzir ainda. Neste primeiro romance adulto a autora conseguiu manter as qualidades que apresenta na série que a fez famosa e ao mesmo tempo provar que consegue escrever sequências interessantes também para um público mais maduro.  No mínimo um início promissor; pretendo ler agora sua série policial, escrita sob o pseudônimo Robert Galbraith e cujo último volume sai agora em outubro. Resta saber se um livro escrito por uma mulher sob pseudônimo masculino pode se enquadrar no projeto deste ano 🙂 abraços!

Postado em: Revisitando
Tags: , ,

Nenhum comentário em “Revisitando – Morte Súbita”


 

Comentar