Revisitando – O Oceano no fim do caminho
por Patricia
em 08/07/14

Nota:

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A essa altura do campeonato, imagino que vocês já conheçam bem nossa coluna Revisitando, né?!. Para aqueles que estão chegando agora ou que não nos visitam sempre (tsc, tsc, tsc), essa é uma coluna onde resenhamos um livro que já passou pelo Poderoso antes resenhado por outra pessoa. Para O Oceano no fim do caminho, especificamente, o Ragner já falou do livro aqui. A idéia de outra pessoa resenhar novamente certo livro é para mostrar que leituras e opiniões são restritas ao contexto de cada leitor. É nossa idéia de demonstrar que gostar ou não gostar de um livro é algo pessoal. 😉

Mas chega de lero lero e vamos ao livro.

Meu único contato com Gaiman antes de ler esse livro foi com Coisas frágeis – do qual não gostei tanto assim. Ainda assim, ele já é veterano no Poderoso. Foi graças às resenhas do Gabriel e do Thiago de outros trabalhos do autor que decidi que estava na hora de saber mais. Já estava na hora de conhecer o Gaiman autor de fantasia e não apenas o autor contista.

O Oceano no fim do caminho começa com um passeio pela memória do narrador. Retornando à sua cidade de infância para um velório, ele vai revisitar alguns lugares e o leitor vai junto. Acompanhamos o retorno dele aos 7 anos quando acontecimentos estranhos marcaram sua infância. Nesse ano, ele viu uma pessoa morta pela primeira vez. Um visitante que alugou um dos quartos da casa, suicidou-se no final da rua. Isso não marcou tanto o menino quanto o fato de que, enquanto seu pai ajudava a polícia com detalhes do rapaz, ele ficou na Fazenda Hempstock onde conheceu um mundo totalmente diferente.

A partir daqui tudo o que era normal antes, toma uma nova forma. O narrador – que nunca se apresenta formalmente – relembra coisas terríveis de sua infância em um mundo cheio de criaturas tenebrosas e pessoas que fazem o bem. Nenhum adulto no livro tem nome além das 3 mulheres Hempstock e Ursula, um ser bizarro. Fora isso, sabemos muito pouco sobre o narrador, sua família e sua vida agora. Nada disso muda o impacto do que ele nos conta, no entanto.

O que me chamou mais a atenção aqui é que Gaiman dá uma voz completamente real a um menino de 7 anos. A construção do enredo todo leva o leitor na viagem que o menino fez de uma maneira bem suave, ainda que a história seja obscura. Me lembrou de alguns momentos da minha infância quando eu lia ou imaginava histórias para passar o tempo. Claro que, para mim, eram totalmente verdadeiras. Gaiman faz muito bem a ponte entre a voz adulta e infantil.

A ligação entre dinheiro e felicidade e isso, consequentemente, resultando no que acontece (sem spoilers), é uma linda metáfora de como a ganância deixa um buraco no coração que dificilmente poderá ser preenchido. É um livro curto – dá para ler em um dia. Extremamente bem escrito, profundo para os adultos e divertido para as crianças. Se eu estava cética quanto a ser ou não uma fã de Neil Gaiman, isso já passou. Definitivamente, o autor estará na minha prateleira com outros livros muito em breve.

Simplesmente fantástico!

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