Revisitando – Os livros que devoraram meu pai
por Juliana Costa Cunha
em 12/12/18

Nota:

Ler “Os livros que devoraram meu pai” após o fim de semana de eleições foi um alento. Este é um desses livros que a gente vai lendo e vai colocando um sorriso no rosto (como já aconteceu com a Patrícia) e se identificando com muitas passagens. É, antes de mais nada, um livro que fala sobre o amor à literatura, aos livros e as muitas possibilidades que uma história contada em páginas brancas e letras pretas podem nos levar.

Afonso Cruz ganhou o Prêmio Literário Maria Rosa Colaço, em 2009, com este livro. O autor é Português, natural de Figueira da Foz e nascido em 1971. É uma daquelas mentes inquietas, pois é escritor, ilustrador, produtor de filmes de animação, compositor da banda de blues roots The Soaked Lamb e, como se não bastasse, tira uns retratos lindos que vai publicando em sua conta no instagram  .

Nesta história infanto juvenil temos Elias Bonfim, narrador/personagem que ao fazer 13 anos ganha de sua avó o presente de poder adentrar na biblioteca que fora de seu pai. O sótão passa a ser a partir daí o lugar preferido de Elias, que vai descobrindo o prazer da leitura e se envolvendo com as histórias narradas de tal forma que todos os dias perde a hora do jantar.

“Minha avó diz que isso pode acontecer quando nos concentramos verdadeiramente no que lemos. Podemos adentrar um livro, como aconteceu com meu pai. É um processo tão simples quanto nos debruçarmos numa varanda, só que muito menos perigoso, apesar de ser uma queda de vários andares. Sim, porque a leitura das coisas pode ter muitos andares. “

As aventuras são muitas. E nós vamos seguindo este encantamento de Elias ao descobrir clássicos como “Crime e Castigo”, “A Divina Comédia”, “O Médico e o Monstro” (que já foram resenhados pelo Ragner e pela Patrícia), entre outros. Nesse descobrir literário Elias tenta achar pistas sobre seu pai. E toda a fantasia sobre esse “desaparecimento”, vai se misturando com fatos da vida real do garoto.

É muito bonito. É livro para jovens e adultos. Para nós que amamos ler e que perdemos a hora quando estamos imersos nas histórias que nos são contadas.

“Uma biblioteca é um labirinto. Não é a primeira vez que me perco em uma. Eu e meu pai temos isto em comum. Penso que foi o que lhe aconteceu. Ficou perdido no meio das letras, dos títulos, perdido no meio de todas as histórias que lhe habitavam a cabeça. Porque nós somos feitos de histórias, não é de DNA e códigos genéticos, nem de carne e músculos ou pele e cérebro. E sim de histórias. “

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