Revisitando – Para educar crianças feministas.
por Thiago
em 18/10/17

Nota:

 

Revisitar este livro é um grande prazer, a nigeriana Chimamanda Ngozi nos traz uma pequena pérola, um livro curto, de uma respirada, mas de extrema importância. Esta é uma autora querida aqui no site, tendo este livro já resenhado pelo Bruno aqui, além de seu mais famoso romance “Americanah”, resenhado aqui e aqui e de um outro livro da autora que vai de encontro ao resenhado aqui, que é “Sejamos todos feministas”.

Educar crianças feministas é, pra mim, a única forma possível de se educar, o feminismo é baseado na igualdade de gênero e é disso que Chimamanda nos fala neste livro escrito na forma de carta a uma amiga que acaba de ter uma filha menina. Entretanto este não é um livro apenas para pais e mães, mas para todos aqueles que não compreendem o feminismo ou que simplesmente o enxergam de maneira pejorativa.

A autora nos mostra que a esperança de mudança reside ainda em um único lugar, na educação, entretanto não é uma educação acadêmica que se prende nos muros escolares, mas algo básico, para além das escolas, algo que se encontra nas famílias e no nosso cotidiano.

Chimamanda, de maneira leve, como em uma conversa informal, procura quebrar o paradigma do sexismo trazendo 15 sugestões para educar uma criança feminista, sempre coisas importantes e cotidianas. Atenção ao título, a autora não fala em educar uma menina feminista, mas uma criança, pois o feminismo é algo para todos. Feminismo é a busca por igualdade de gênero, como ser contra algo tão bonito e importante?

Para algumas pessoas parece que falar sobre a igualdade entre homens e mulheres é um tabu, e por algum ou alguns motivos vivemos no Brasil uma onda conservadora que tende a rebaixar a mulher. Já ouvi de um chefe, e de uma chefe (obs: sou professor) que a mulher existe para servir o homem e que eu não deveria ensinar sobre feminismo, mesmo estando na ementa da matéria. Acho tão estranho o medo do feminismo que ronda a sociedade, penso se essas pessoas não tem mãe, irmã, tias, filhas, sobrinhas?

Nessas horas e com essa leitura não consigo não lembrar de Simone de Beauvoir. A pensadora existencialista e reconhecidamente feminista apresenta, em Por uma moral da ambiguidade (Paz e Terra, 1947), a ideia de que nascemos em um mundo dado, e que somos livres para sermos o que quisermos – ainda que indo contra o que é considerado moralmente correto nesse mundo –, mas também somos livres para acatar o que é estabelecido. Considerando a ambivalência apresentada por Beauvoir, podemos dizer que cabe à família incentivar àqueles que dela fazem parte escolher entre agarrar-se às inúmeras possibilidades do ser ou simplesmente permanecer com o que o mundo dado fornece.

Todo o tempo que lia o livro de Adichie era levado as teorias de Beauvoir, o mundo nos é inicialmente dado pela família, pela maneira como somos educados, e através da autora nigeriana a solução está em mudar a educação das novas gerações.

Este livro tão pequeno, de leve e prazerosa leitura é um presente perfeito para aquele seu amigo ou amiga machista que tem filhos e filhas, pra sua mãe, pro seu pai, pros seus filhos, enfim, pra qualquer um. Recomendo muito que o leiam e levem essas sugestões para sua vida, tentando se reeducar, buscando uma nova e importante maneira de enxergar a mulher, sendo você homem ou mulher.

Boa leitura a todos.

 

 

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Livro enviado pela editora

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