Semana De Cinema – 127 Horas
por Ragner
em 28/01/13

Nota:

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127 horas é um filme, na minha concepção, cheio de ensinamentos literais, brutais e conceituais sobre a vida. Posso dizer e defender o filme como uma lição de coragem, superação, obstinação e aceitação até.

Quando o filme foi lançado, não assisti no cinema, mas estava muito ansioso para saber mais sobre e corri atrás de alguma copia existente. Muito dessa minha vontade se deu pelo protagonista (sou fã declarado do James Franco) e pela história a ser contada. Não sabia exatamente que o filme era uma biografia de um alpinista, já tinha lido que seria sobre fatos reais e sobre um cara que continuou vivendo após um acidente, mas faltei as sessões declaradas do que realmente se tratava e todo o acontecimento por trás dos fatos.

Logo depois do filme, disse aquele “uau”, pois eu conhecia o sujeito em questão. Já tinha ouvido falar de Aron Ralston, mas assumo que não conhecia a fundo sobre como tudo sucedeu. Como gosto demais de esportes radicais, aventuras diversas e histórias que dissertam sobre vencer adversidades, não podia deixar de assistir.

James Franco é um caso fantástico, defendo eu, de ator que sabe o que tá fazendo. Na época de “Em Nome Do Pai”, eu dizia o mesmo de Daniel Day-Lewis, já que o via como um hiper ator. Em 127 horas ele é exatamente o exemplo de aventureiro destinado a superar tudo o que há pela frente, mas que ainda não passou pela prova de fogo (todo nós temos nossa prova de fogo, você já passou pela sua?). Franco é Aron, um alpinista que conhece o Grand Canyon, em Utah, como a palma da mão e decide ir desfrutar de toda solidão e liberdade que o lugar proporciona. Sem informar à alguém e ao esquecer o inseparável canivete suíço, ele segue até o destino. Como está acostumado com o percurso, sua confiança extrapola certos limites. Antes do fatídico acidente, ele se encontra com duas moças, lhes apresenta belezas do lugar e as deixa maravilhadas com seu jeito espontâneo de ser e segurança. Depois de direciona-lás a seguir por onde elas desejam, ele se despede e continua seu passeio até o Blue John Canyon.

O que Aron não esperava era que algumas pedras estivessem soltas por onde ele estava passando. Ao cair entre uma passagem estreita, uma pedra prende seu braço contra as paredes do vale. Imediatamente ele tenta de todas as formas se libertar, empurrando a pedra, laçando-a e tentando puxá-la pela corda de escalagem ou mesmo quebrando-a, mas nada surte efeito. A pedra continua impassível.

A vida de Aron, após dias nessa prisão, começa a ter um sentido diversificado. Vamos percebendo como ele começa a se importar com as pequenas coisas, como ele tenta registrar tudo, filmando, como se houve expectativa de liberdade e até mesmo para o caso dele morrer ali e o vídeo ser descoberto depois. Ele vai discutindo a importância de avisar à outras pessoas do lugar aonde estava indo, de ter uma convivência mais presente com aqueles que conhece e até vislumbrar o futuro ele foi capaz.

Depois de 5 dias atormentado pela falta de comida e bebida (comeu tudo que podia e até bebeu sua urina) ele ultrapassa o limite da superação viável e decide quebrar o braço preso e cortar a pele com uma faca pouco afiada. Com tremendo esforço e indo além do que acreditava ser possível, ele consegue sair do Canyon, andar alguns quilômetros e se deparar com uma família que o vê completamente “destruído” e chama o resgate.

Um pouco sobre o real Aron passa logo em seguida, mostrando a esposa que conheceu anos depois do acidente e o filho, que ele “vislumbrou” enquanto delirava antes de cortar o braço.

O filme teve cenas que não aconteceram de verdade com Aron, como a cena junto às garotas (ela pode ser somente para incrementar algum clima de romance no ar ou mostrar um carisma proposital), mas todo o resto é verossímil, ajudando mais ainda a questão de um filme que nos ensina sobre sobrevivência extrema quando nosso desejo de superar vence.

Não somente indico para ser assistido, mas também para ser comentado, compartilhado e mostrado à outras pessoas. Meu desejo ainda é discutir o filme em sala de aula. Espero fazer o quanto antes.

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6 Comentários em “Semana De Cinema – 127 Horas”


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Rafael Felipe Gati em 28.01.2013 às 08:21 Responder

Assisti esse filme pouco depois do lançamento dele, mas não no cinema também e sim na casa de um amigo numa “sessão pipoca”.

Confesso que não sabia nada sobre o filme, e até fui contra a escolha do mesmo para ser exibido na nossa sessão. Sorte a minha que os meus amigos foram a favor da exibição por já saberem um pouco sobre o filme.

Realmente o filme é bom, e a atuação do James Franco é digna de elogios mesmo, tudo ali dependeu da atuação dele, pois praticamente só temos ele de ator no filme. E deve-se falar também que se não fosse pela boa atuação dele ninguém aguentaria ver mais do que meia de filme.

Devo ressaltar também a aflição que deu a cena em que ele corta fora o braço dele, os sons agudos colocados quando ele chega no nervo… muito bom.

Ragner
Ragner em 29.01.2013 às 10:10 Responder

Filmes com atuações solitárias são fantásticos quando o ator consegue fazer um ótimo trabalho mesmo. O mesmo rola com o Náufrago, que ainda penso em resenhar aqui.

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Daniel em 28.01.2013 às 09:41 Responder

No ano de lançamento de 127 Hours eu já andava bastante desanimado com os filmes do Danny Boyle. Quando soube deste novo trabalho, desdenhei do mesmo como se não houvessem fronteiras. Não é demérito algum de minha parte com relação ao diretor, aclamado pelo essencialíssimo Trainspotting (1996) e, por que não citar, Slumdog Millionaire (2008). Eu também nunca fui tão apreciador dos trabalhos James Franco.

Um dos grandes males do Cinema é o fato de que os apreciadores assíduos são bastante exigentes. E, como consequência, acabam esperando obras cada vez melhores dos profissionais da área. Quando vi Trainspotting pela primeira vez, me perguntei “Então esse é Danny Boyle? O que será que vêm depois disso?”. Pois bem, meu contentamento com seus trabalhos subsequentes não se elevou tanto quanto as minhas expectativas.

127 Hours é um excelente filme. A trama é forte, se sutenta. Como um filme caracteriza prioritariamente o aspecto visual, Boyle “genializou” ao promover momentos onde a tela se divide, em duas ou três partes, mostrando cenas distintas ou em ângulos diferentes, como se uma sucessão de pensamentos estivessem sendo manifestados em torrente, ressaltando não somente tudo o que o personagem estava pensando, como também evidenciava a sua angústia, seu desespero. Drama à flor da pele, nesses momentos. Telas divididas em várias cenas não são novidade no mundo cinematográfico, mas a utilidade das mesmas caiu como luva com relação à trama e ao seu objetivo, deixando o espectador ainda mais envolvido com a situação; deixando-o dentro do filme, quiçá, da cabeça do personagem Aron.

Também possuo certa afinidade com belas imagens e esportes radicais, o que fez com que as tomadas do Canyon e a modalidade esportiva em voga despertassem ainda mais meu interesse. Sobre Franco, não tenho nada a reclamar. Casou perfeitamente com o espírito de Aron Ralston. Não vi nada de extraordinário em sua atuação, mas reconheço a realização de um ótimo trabalho.

Dei 4 estrelas para o longa. Boyle voltou a subir degraus no meu conceito, mas com relação aos seus trabalhos ainda não me sinto tão surpreendido como antes. Enfim, vale a pena ver 127 Hours. Só não recomendo que revelem detalhes sobre o filme a quem nunca assistiu. A ótica final será completamente singular.

Ragner
Ragner em 29.01.2013 às 10:33 Responder

Eu gostei de “Sunshine” e “A Praia” dele, os outros filmes não assisti. A fotografia, a condução da história, os closes, entre outras coisas, me agradaram bastante. Sobre James Franco, fica difícil para mim, não elogiar, pois gosto muito do trabalho dele e nesse filme ele, como você ressaltou, casou perfeitamente com o espírito do esportista em questão.
Valeu pela visita e comentário. Abraços.

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Cintia Teodoro Dutra em 19.05.2020 às 11:39 Responder

Estou passando ele em minhas aulas de Educação Física, meus alunos estão amando.

Ragner
Ragner em 25.05.2020 às 18:43 Responder

O filme e a história são excelentes. Super válido!!


 

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