Semana de Cinema – A grande aposta
por Patricia
em 27/01/16

Nota:

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2008 viu uma das maiores crises econômicas de todos os tempos – muitos dizem, desde 1929. As notícias, provenientes principalmente dos Estados Unidos, eram tenebrosas: milhões de americanos perderam seus empregos, suas casas e passaram a viver abaixo da linha de pobreza. No centro de tudo isso, banco após banco anunciava que estava quebrado ou perto disso e ouvíamos termos como subprime, crédito, opções de compra e venda e, de alguma forma, tudo isso estava ligado ao mercado imobiliário.

Se você, como eu, nasceu para ser de humanas, essa conversa toda poderia soar como um alto barulho em que várias siglas significavam coisa nenhuma. Quanto mais notícias saiam, mais parecia que os leigos deveriam “deixar isso para os adultos” em um discurso – muitas vezes endossado pela mídia – condescendente com, provavelmente, 90% das pessoas que sentiam nas carteiras os resultados da crise.

E foi assim, com esse discurso de exclusão, que o governo norte-americano tirou dos bancos a responsabilidade da crise e pediu aos contribuintes que pagassem os bônus de seus executivos. Enquanto tudo isso acontecia, a pergunta que não queria calar era: como ninguém percebeu que isso poderia acontecer?

É aqui que entra A grande aposta. Lançado primeiro como livro escrito por Michael Lewis, traduzido como A jogada do Século, a obra foi adaptada para o cinema por um time de peso com nomes como Ryan Gosling interpretando um banqueiro do Deustche Bank, Steve Carell como o tempestivo investidor Mark Baum, Brad Pitt (em um papel menor) e Christian Bale como Michael Burry – um prodígio do mercado que previu antes que todo mundo o que iria acontecer .

O filme é um filhote inevitável de outra obra sobre o tema: O lobo de Wall Street. Ele tem a mesma “pegada” de queda da 4ª parede, em que o narrador olha direto para a câmera, o corte rápido e o uso de humor em momentos de tensão e cenas que parecem inacreditáveis demais para serem baseadas na vida real. Tudo isso é pensado para aproximar o telespectador do tema do filme muito mais dos que os personagens – tanto que quem narra é um personagem que poderia muito bem ser um dos vilões, o banqueiro nem um pouco agradável interpretado por Ryan Gosling.

O elenco coloca todo seu carisma à disposição do diretor Adam McKay, com menção especial a Christian Bale que está excelente como Michael Burry (e recebeu com justiça uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante). Mas McKay não é Scorsese e isso fica claro na condução do filme que parece forçado em alguns momentos.

Dá para entender a ideia de deixar o tema simples, objetivo, explicado muitas vezes por celebridades ou sub-celebridades para que seja mais “palatável” para aqueles que não conseguem sair da “cultura pop”. Porém, muitas piadas desse tipo podem ficar perdidas no tanto de informações que precisam ser passadas e digeridas para que seja possível entender melhor o que acontece na tela.

O bom trabalho de A grande aposta fica por conta das denúncias de um sistema corrupto de maneira que nem mesmo uma banqueiro poderia fingir que não viu. Em 2011, a HBO lançou o filme Grande demais para quebrar em que fala sobre a crise e a tentativa do Governo de salvar o Lehman Brothers e explica o outro lado da moeda (o pensamento no qual o Governo se baseou para tomar a decisão que tomou). Outro filme que aborda o tema é Trabalho Interno, documentário vencedor do Oscar de 2010. Vale a pena assistir os três e combinar a narrativa.

Minha aposta é que não leva nenhum dos Oscars a que foi indicado.

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1 Comentário em “Semana de Cinema – A grande aposta”


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Fábio Rocha em 11.06.2018 às 14:22 Responder

O filme A grande aposta é um dos meus preferidos. Li o livro em que esta baseada faz alguns anos e foi uma das melhores leituras até hoje. A historia está bem estruturada, o final é o melhor. O ritmo é bom e consegue nos prender desde o princípio, me manteve tensa todo o momento, se ainda não a viram. Sou fã do Ryan Gosling filmografia porque tem muita empatia com os seus personagens em cada uma das situações. É um filme bom e interessante, ele sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Excelente filme, desfrutei muito.


 

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