Semana de Cinema – Adeus, Lênin
por Patricia
em 24/06/13

Nota:

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Adeus, Lênis começa em 1979 na Alemanha comunista. O pai de Alex foi embora e sua mãe entra em choque e pára de falar vivendo em estado catatônico. Ela é internada e, por oito meses, os filhos moram com a vizinha. Após esse tempo, a mãe retorna e parece curada. Tudo parece voltar ao normal e sua mãe se joga nas atividades do partido socialista defendendo as causas com afinco. Ela chega até a receber uma medalha do Governo pelos seus serviços.

Os primeiros minutos do filme nos situam na Alemanha comunista e a enxergamos através dos olhos de uma família que aceitou essa realidade como a única possível.

Então, o filme dá um salto de 10 anos e chegamos a 1989 – ano de intensas e profundas mudanças na Alemanha. Alex está de saco cheio da vida socialista e, apesar de não conhecer nada de diferente, deseja algo novo. Quando participa despojadamente de um protesto que pedia imprensa livre e o direito de ir e vir sem fronteiras, Alex é preso. Não sem antes fugir dos tanques e do exército do Governo que começa a atacar uma passeata pacífica que gritava “Não à violência”. (É…..deixo a assimilação por conta de vocês).

Sua mãe que passava por ali, vê Alex sendo levado pelo Governo no qual sempre acreditou, tem um ataque cardíaco e cai na rua. Essa é a última coisa que Alex vê antes de ser levado para a prisão.

Quando é liberado, recebe a notícia de que sua mãe foi levada para o hospital tarde demais e está em coma. Nos meses seguinte, enquanto sua mãe dormia, a Alemanha começou a caminhar rumo à ocidentalização e à unificação: o muro caiu, a passagem entre os lados foi afrouxada e a economia se abriu para o capitalismo.

Aliás, a cena que melhor demonstra isso é quando um pequeno grupo de militares estão treinando e atrás deles passam caminhões e caminhões da Coca Cola para abastecer o novo mercado. Alex trabalha como vendedor de antena parabólica e, sua irmã, no Burger King. (Incrível como algumas empresas se transformaram em sinônimos de capitalismo).

Mas, como um milagre, sua mãe acorda do coma. Como ela precisa se manter calma, Alex se compromete a evitar que ela descubra que seu adorado país não existe mais. Uma das medidas mais divertidas é comprar produtos importados e colocá-los em embalagens antigas. Mas nada supera a verdadeira operação cinematográfica que Alex cria para explicar para sua mãe porque uma bandeira da Coca Cola surgiu na parede do prédio da frente: ele convoca seu amigo para interpretar um âncora de jornal e cria a falsa notícia de que a Coca sempre foi uma bebida socialista mas que havia sido roubada pelo outro lado. Agora, o Leste havia reconquistado sua bebida.

O filme é um pouco longo demais (quase 2 horas) mas entretém com propriedade. É uma maneira divertida de entender o antes e o depois do comunismo e seu impacto direto na vida das pessoas. Mas ele vai mais além e oferece uma boa reflexão sobre o tipo de vida que aceitamos ter.

A mãe de Alex aceitou a vida que lhe restou sem questionar as decisões do partido e se envolvendo no que podia. Ela se informava apenas pela televisão e, por sua natureza simples, não conseguia entender muito bem o que era de verdade viver naquela enorme comunidade. O fato de Alex usar o noticiário para manipular sua mãe a acreditar que ainda vivia uma outra realidade nos mostra o poder de saber, de questionar, de não aceitar e como isso pode mudar tudo.

Filme altamente recomendado e vale a reflexão de possíveis similaridades do que vemos hoje no Brasil – dadas as devidas proporções.

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