Semana de Cinema – Cabra Cega
por Patricia
em 21/04/14

Nota:

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Cabra cega é um filme brasileiro de 2005 que nos apresenta a história de um revolucionário que foi baleado pela polícia e, agora, vive em um apartamento – um refúgio improvisado – enquanto espera a poeira baixar. Sua foto está em todo lugar e ele está sendo caçado pelo torturador Fleury.

Em cenas de flahsback, descobrimos que sua parceira foi presa e em outras cenas fora do contexto geral, que está sendo torturada.

O apartamento é de Pedro – um arquiteto não militante, mas que tenta ajudar como pode. Ali, Rosa – essa sim militante – vai cuidar de Thiago (o revolucionário). Nos primeiros 20 minutos do filme, já sabemos que Thiago está com os nervos em frangalhos – ele anda armado mesmo em casa, evita janelas e tem alguns pesadelos intensos.

Ele recebe a visita de um companheiro – Matheus – que o informa das notícias mais recentes. Thiago descobre que todo o aparelho ao qual pertencia foi desativado pela polícia. No Rio, estão todos mortos. A questão é que nesse momento, a Ditadura está ganhando e as estratégias devem ou ser repensadas ou abandonadas.

Os dias passam e Thiago percebe que precisa fazer algo mais para evitar enlouquecer. Ele chega a visitar a vizinha da frente com quem janta. A vizinha é uma Senhora espanhola que fugiu de Franco depois de perder o filho na Espanha, deixando uma das boas frases do filme: “As Ditaduras só mudam de lugar”.

Logo depois, a parceira de Thiago é resgatada em estado péssimo. Isso aumenta a vontade de Thiago de continuar a luta. Ele e Matheus discordam muito dos caminhos que o movimento tem tomado e para onde deve ir no futuro.

O filme tem um foco bem específico na paranóia de Thiago. Suas experiências como militante não foram das melhores e ele carrega uma tensão que parece piorar ainda mais em alguns momentos. Só que o filme também parece desconexos em outros…a vizinha de Thiago aparece em algumas cenas, eles jantam e ela morre depois. A parceira dele é resgatada, fala duas frases e no dia seguinte ela já saiu dali. Seria quase mais simples nem ter essas personagens ou só comentar sobre elas. Daria quase na mesma coisa e não enrolaria tanto o enredo.

E as atuações? Thiago é interpretado por Leonardo Medeiros e o cara é excelente. Bom ator, ele consegue trazer à tona tudo o que o espectador precisa sentir. Uma escolha genial para protagonizar o filme. Rosa é interpretada por Débora Duboc e, sinto muito, não rola. Rosa podia ser uma personagem muito maior, mas é sonsa. A interpretação da atriz é mecânica, os diálogos dela parecem ensaiados a exaustão. Não desceu. Acabei sentindo zero simpatia pela personagem e quando ela estava em cena, eu preferia que a cena acabasse logo. Achei Rosa bobona e uma personagem que não só não acrescenta nada como é responsável por grande parte do meu tédio no filme. As cenas em que ela deve passar tensão e nervoso são quase risíveis.

As cenas têm como ponto central o apartamento onde Thiago está escondido. Poderia ser algo mais “Deus da Carnificina” (esse sim, um filmão em todos os sentidos), mas o enredo parece preso mais do que focado. O filme não tem muitas cenas de ação e, em alguns momentos, pode ser um pouco parado demais. Depois de ler vários livros sobre a época e ter me inteirado em diversos pontos de vista sobre o assunto, acho que Cabra-cega acrescenta muito pouco. Assista sem grandes expectativas.

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