Semana De Cinema – Doce Vingança 1/2
por Ragner
em 25/04/14

Nota:

Coleção - Doce Vingança 1 e 2 - Capa Filme DVD

 

Há tempos a discussão sobre violência contra a mulher e estupro (sim, podemos presenciar violência sem estupro, mesmo que o contrário não haja) permeiam redes sociais, salas de aula e até mesmo conversas de bar. O homem é capaz de imaginar tal ato de violência como algo sem tanta importância e até existem pessoas que condicionam o sexo e a agressão como um sinal de obediência para com aquele que patriarcalmente seria o dono do pedaço. E podemos até mesmo apontar o quanto tal questão é horripilante, lembrando o que desenrolou essa semana após o 3º episódio de GoT, quando Jaime estupra sua irmã/amante.

Os dois se amam? Talvez não mais. O ato desesperado de Jaime é justificado quando percebe que a relação não mais existe? De forma alguma. Ela precisa aceitar o sexo pelo passado dos dois? Não. A cena deu o que falar, ainda mais quando não tinha nada a ver com o que estava escrito nos livros.

O abuso masculino se dá em sua grande maioria pela crença de que o homem pode, de que ele consegue, de que é fácil subjugar uma mulher aparentemente mais frágil e fisicamente inferior. O que se mostra explicitamente equivocado nesses dois filmes. A vítima se mostra vingativamente superior e a caça se transforma em uma caçadora sem precedentes. Péssimo para os “cavaleiros” que insistem em se aproveitar de alguém que julgam indefesa.

 

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No primeiro acompanhamos a história de uma escritora que se retira para um lugar “sossegado” com a intenção de poder concluir seu próximo livro. Sozinha, passa a ser observada por um grupo que se oferece para ajudar em qualquer situação, mas que acabam ficando obcecados por ela e perdem qualquer senso de controle quando começam a se aproveitar da situação. A moça aparentemente indefesa chega a pedir ajuda, mas muito do que parece uma saída, acaba se mostrando pior e a sua possível morte parece a única coisa capaz de parar os monstros que a estão molestando.

 

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No segundo uma aspirante a modelo se muda para cidade grande (Nova Iorque) com o propósito de atingir o estrelato e conseguir a fama. Depois de uma sessão de fotos não finalizada como gostaria, ela passa a ser sondada por um dos homens (fotógrafo) até que esse mesmo dá um jeito de entrar no apartamento dela e a vigiar enquanto ela dorme. Após estupra-la, se dá conta do que fez e chama os outros, para tentar “consertar” o erro, mas o que passamos a assistir, é algo bastante discutido atualmente e desenrola no que conhecemos como escravidão branca.

A vingança das duas é arquitetada com bastante cuidado e aparentemente sem falhas. Não necessariamente ficamos com dó dos caras, mas que rola aquele sentimento de “como isso deve doer e ser angustiante”, rola. O cuidado ao capturar um a um e a forma de tortura-los garante cenas de terror que mexe com nossos nervos. Ambas passam a ser bem frias e mortalmente calculistas, mas pelo que passaram, não chega a ser pior do que sofreram.

A violência contra a mulher é algo que precisa ser discutida e sem dúvida os dois filmes apresentam muito bem a crueldade que é abusar de alguém pelo simples fato de parecer ser possível (e aqui incluo crianças). Homens com transtornos psicológicos não estão preocupados com o que fere ou destrói o outro, e qualquer ser feminino pode sofrer violência para satisfazer o desejo indiscriminado de alguém que é acometido de distúrbios sexuais e uma psicopatia evidente.

Nos filmes em questão, os homens gostam de demonstrar poder e aterrorizar sua vítima. Entre eles podemos destacar aquele que é o deficiente mental em algum grau, o faz tudo que segue as ordens e o que está à frente, mandando o que todos devem fazer. Mas aqui acaba que também existe um que está por trás de todo um esquema com possíveis antecedentes, o responsável que vai encobrindo quaisquer rastros dos seus peões. Doce Vingança 1 e 2 seguem essa lógica mas contam histórias bem distintas. Psicologicamente entendo e acredito que todos os agressores sofram de algum tipo de loucura que explique ou detalhe essa perversidade tão explicita e no caso da vítima, sua reação é consequência do trauma sofrido. A maldade de quem age pura e simplesmente para satisfazer um prazer, sem se importar com o sofrimento do outro, acaba influenciando as motivações de vingança da vítima, pois essa é tão atingida que suas ações passam a ser auto-explicativas, mas nem de longe irrepreensível, mesmo que a gente se compadeça e possa defender o que ela faça.

 

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