Semana De Cinema – Drácula
por Ragner
em 01/11/14

Nota:

 

Vlad Tepes é um herói na Romênia e sua luta contra os Turcos é lembrada como uma guerra da resistência e liberdade para o povo da Transilvânia. Essa parte é historicamente conhecida e real, Sua impetuosidade contra os inimigos e fama de empalador também é verdadeira, mas toda o lado mítico e fantasia contada por Bram Stoker fazem parte daquilo que chamamos de invenção. E uma invenção que dura, muito bem, até hoje. Muitos filmes já contaram sobre a vida do Conde como Drácula e até alguns já versaram também sobre sua vida como príncipe. O que esse filme tem de diferente ou especial? O diretor conseguiu embarcar na onda dos efeitos especiais, um enredo mais enxuto e direto, que detalha muito bem a psicologia por trás da transformação do Filho Do Dragão.

Eu sou um consumidor contumaz de filmes e literatura vampírica. Agrado demais de toda a mitologia e terror envolvido na tragédia infernal que todo chupador de sangue enfrenta durante a eternidade e no caso de Drácula é ainda maior meu interesse. E esse filme consegue criar toda uma explicação e trama que mostra um lado mais humano e ao mesmo tempo monstruoso de um personagem histórico que, literariamente, assume a responsabilidade de salvar sua família, nem que para isso tenha que perder sua alma.

O filme é mesmo rápido, em torno de uma hora e meia toda a trama é contada, toda história que acontece entre o início do conflito com os Turcos, até a “morte” do conde Drácula. As apresentações prolongadas são dispensadas e temos uma pequena introdução sobre quem é o príncipe da Transilvânia, como ele se torna o maior guerreiro do Leste Europeu, sua relação com o império turco e de onde vem seu apelido de empalador. Tudo isso contado pelo seu filho.

“-Que tipo de homem rasteja à própria cova em busca de esperança? -Um homem desesperado”

 

“Mas as vezes, o mundo não precisa de outro herói. As vezes, precisa de um monstro”

A escolha que Vlad Tepes fez para defender seu povo se transforma em uma extrema maldição e de herói, acaba passando a representar o papel de monstro. Importante ressaltar que a ESCOLHA foi uma decisão difícil, mas a motivação para tal, foi muito maior. “Acham que estão vivos porque podem lutar? Estão vivos pelo que fiz para salvá-los”. Vlad Tepes – filho do dragão – vende sua alma ao demônio e seu nome Drácula passa a ter um novo sentido – filho do demônio -. Com a promessa de poder de 100 homens e o controle da noite e suas criaturas, Drácula aceita o pacto com um ser ancestral, poderoso e monstruoso. Mas claro que há um preço a se pagar e só um homem com a força capaz de salvar uma nação, pode sofrer e suportar tal fardo.

Existe até um discurso pragmático e prático no lugar de um filosófico, mas com uma força idêntica, que debate muito bem as consequências das escolhas do príncipe. A imagem de um líder, que entrega sua vida para defender um povo é muito trabalhada aqui e Drácula é bem representado como um mártir, mas só por quem assisti ao filme, pois quando o povo descobre a verdadeira face do herói, passa a temê-lo quase como a um inimigo.

O filme é fantástico, excelente e vale demais ser assistido. A fotografia, ambientação e figurino tem destaque garantido. Mesmo o original sendo quase imbatível – são história bem diferentes -, essa versão merece o respeito de quem ama ou no mínimo gosta de histórias de vampiros. Até mesmo a criação de um vampiro que transforma o Conde é bem interessante e muito legal. Para tal personagem, temos no papel o falecido pai dos irmãos incestuosos de “Guerra Dos Tronos” e de Tyrion – Charles Dance – que está espetacular. Tem até o pequeno “Rickon Stark” – Art Parkinson – no papel do filho de Vlad Tepes. Mas a estrela mesmo é Luke Evans que impressiona no papel de Drácula, para mim foi uma escolha mais do que acertada, e olha que já amo a interpretação de Gary Oldman, mas aqui é outro Conde, uma encarnação mais jovem e necessária nos dias atuais.

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