Semana de Cinema – Girl Rising
por Patricia
em 24/11/14

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Já faz um tempo que assisti uma entrevista da Rainha Rania da Jordânia para Oprah em que ela falava sobre suas ações pelo mundo desenvolvidas para combater a pobreza extrema. Seus projetos eram realmente bons, mas uma de suas frases ficou comigo até hoje e é algo sobre o qual eu penso de vez em quando: “Poverty is a she”. Em outras palavras, ela quis dizer que pobreza tem um efeito muito mais devastador para mulheres que, em países extremamente pobres, acabam sozinhas por diversos motivos.

O documentário Girl Rising toca nesse assunto, indo direto à ferida. Escolhendo 9 meninas em diversos países onde a pobreza reina, da Índia ao Nepal e do Afeganistão ao Peru, o diretor Richard E.Robbins nos apresenta a importância da educação. Relegadas às tarefas comuns do dia a dia, as meninas viram todas suas possibilidades sumirem, ou quase. O documentário mostra uma geração de meninas que podem ser as primeiras de suas famílias e melhorarem suas condições através da educação, quebrando um ciclo vicioso de pobreza.

Temos a história da nepalense Suma que foi vendida aos 6 anos a um mestre, para que tivesse casa e comida. Nessa jovem idade, ela era responsável por cuidar da louça, das cabras, costurar e afins. Enquanto isso, seu irmão ia para a escola. Passando de um mestre ao outro, ela reconta alguns detalhes tristes de sua jovem vida que mudou quando ela conheceu um professor na casa de seu terceiro mestre. Na Etiópia, aprendemos com Azmera que 18 anos é a idade legal para casar, mas crianças de 7 anos já haviam virado esposas no passado.

O grande diferencial desse documentário é que cada história é recontada por uma escritora do país da menina. Quando uma pequena haitiana nos apresenta sua vontade de estudar em uma Port-au-Prince destruída, quem escreve sua história é a autora compatriota Edwige Danticat. Uma decisão absolutamente sensata – e inesperada – que acaba por nos apresentar uma nova voz local, talvez desconhecida para a maioria. Com um tom de fantasia, as autoras permitiram que as meninas recortassem suas histórias através de suas respectivas imaginações férteis. A jovem Yasmin se descreve como uma super-heroína por ter lutado contra o homem que a estuprou. Em sua cabeça criativa, ela ganhou a luta e não o matou apenas após o criminoso ter implorado por isso. A realidade, porém, não foi bem essa.

Cada história escrita para cada menina por uma autora local é narrada por uma grande atriz hollywoodiana – Azmera tem seu conto narrado por Meryl Streep, Suma conta com a voz de Kerry Washington e temos outras famosas como Anne Hathaway e Selena Gomez. Entre cada história, os números e a contextualização são narrados por Liam Neeson.

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Recentemente, Malala Yousafzai ganhou o Nobel da Paz com todos os seus 17 anos por seu discurso a favor da educação para meninas. Há um motivo para o assunto ser tão importante hoje quanto era em 2006, quando Oprah recebeu a Rainha da Jordânia. Quase 10 anos se passaram, mas ainda há muito a ser feito: 33 milhões de meninas deixam de frequentar a escola todos os anos; 14 milhões casam-se com menos de 18 anos; a maior causa de morte entre meninas de 15 a 18 anos não é AIDS, guerras civis ou algo do tipo: é o parto; uma menina nascida hoje tem 1 em 4 chances de nascer na pobreza e, sem estudos, esse quadro não tem muita possibilidade de mudar.

O documentário está disponível no Netflix.

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