Semana De Cinema – Gran Torino
por Ragner
em 29/11/13

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Filmes bons são aqueles com entretenimento de sobra para produzir aquele gosto de querer assistir de tempos em tempos, filmes excelentes são aqueles que, além de produzir isso, criam uma aura de ensinamento e aproveitamento capaz de fazer o telespectador criar uma empatia com o personagem. Gran Torino é um exemplar que pode estar nos dois tipos, depende de quando e de quem o está assistindo.

Clint Eastwood atuou e dirigiu o filme que muito tem a ver com o que ele sempre representou nas telonas, um sujeito solitário, másculo (com vertentes machistas) e absurdamente honrado. Em Gran Torino clichês de seus outros filmes e uma aposta parecida como em Menina De Ouro (ainda a ser resenhado) estão presentes de forma magistral. O filme pode conter uma história linearmente simples, mas todo um questionamento sócio-cultural, com situações referentes a condições do que se pode ou deve ser feito (com pitadas de religiosidade e ) fazem do filme uma obra de arte.

 

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Após a esposa ter falecido, Walter Kowalski se vê cercado de filhos interesseiros e familiares que não gostam dele e isso aumenta sua rabugice. Um homem solitário, cheio de manias, com suas verdades e histórias de luta e dor, vivendo em um bairro violento e com poucos amigos, tem que aprender a conviver com vizinhos de descendência Hmong, que acabam proporcionando um contato com uma outra cultura e deixando sua vida com uma nova perspectiva.

Thao e Sue são os jovens que vivem com a mãe e a avó, vizinhos do Sr. Kowalski. Depois que Thao tenta roubar o Gran Torino de Walter (obrigado pelo primo que faz parte de uma gangue) e dá errado, o velho ranzinza tem sua rotina mudada. Mesmo sem simpatizar com a nova vizinhança Walter não deixa com que a gangue do primo perturbe a família Hmong e expulsa os delinquentes que invadiram sua propriedade. Isso faz com que a família asiática sinta que tem um débito de gratidão e, com vergonha por Thao ter tentado rouba-lo, eles o obrigam a ajudar Walter, para restaurar sua honra. Com isso os dois passam a desenvolver uma amizade, amizade capaz de mudar ambos.

 

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Walter ainda enfrenta questões de vida e morte, redenção, pecado e perdão. Podemos observar o que um senhor que lutou na guerra da Coréia, nacionalista e com a sinceridade na ponta da língua pode querer da vida e até conseguir dela? Um homem irônico, sarcástico, intolerante, ignorante e com fortes convicções do que é certo e errado vai passando o exemplo másculo de como resolver os problemas com as próprias mãos.

A promessa de um homem é para ser cumprida. As ações de um homem precisam ser convictas, mesmo que isso tenha um preço altíssimo.

Os filmes de Clint Eastwood possuem uma discussão formidavelmente socio-cultural. O que fazer quando todas as alternativas positivas estão escassas? Todas as respostas mais efetivas ninguém quer executar e o trabalho sujo é necessário quando não há mais volta. Alguém tem que sujar as mãos ou resolver de uma maneira completamente desprovida de auto afirmação.

 

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