Semana de cinema – Jogos Vorazes: A esperança – O final
por Bruno Lisboa
em 26/11/15

Nota:

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Que a saga Jogos Vorazes é um verdadeiro fenômeno cultural isso não é novidade para ninguém. Seja na esfera literária ou na sétima arte, o universo criado por Suzanne Collins segue arrecadando bilhões de dólares mundo afora (quase 3 bi), conquistando uma sólida de fãs e o sucesso da crítica. Porém, como tudo tem um fim, eis que é chegado o derradeiro filme.

Com direção de Francis Lawrence (em seu terceiro filme na franquia) e roteiro por Peter Craig e Danny Strong, no enrendo temos a heroína Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, em atuação espetacular) que vive o dilema entre ser mero instrumento propagandista em prol da união dos distritos sobreviventes, sob a liderança Alma Coin (Julianne Moore) e  Plutarch (Philip Seymor Hoffman, em sua última atuação) ambos responsáveis pelo distrito 13,  ou seguir os próprios instintos de vingança que visam matar o Presidente Snow (Donald Sutherland).

Diferente de outras sagas, como a Crepúsculo que aposta quase todas as suas fichas num insosso discurso amoroso, neste filme o  triangulo formado por Katniss, Peeta (Josh Hutcherson) e Gale (Liam Hemsworth) ocupa pouco espaço, comprovando o esperado amadurecimento da protagonista que deixa de lado dramas adolescentes e surge mais forte, focada em seus ideais revolucionários.

Se na primeira parte de A esperança o ritmo fora desacelerado, vide a importância dada aos diálogos, nesta segunda (mesmo que de maneira descompassada) as cenas de ação tomam corpo e ocupam boa parte do longa,  rendendo passagens carregas de tensão e plasticidade (como a cena de um misteriosa lava negra) .

Por fim, ao conciliar em doses equilibradas entretenimento e conteúdo, a trilogia Jogos Vorazes teve como grande trunfo trazer para as grandes massas lições sobre distopia, o ideal da propaganda, a corrupção e a busca irrefreável pelo poder e noções de discurso político numa forma clara, didática e palatável, características estas raras em tempos como o de hoje em que o cinema blockbuster preza muito mais pela diversão do que a reflexão.

Apesar do contexto aparentemente distante, futurista e ficcional, o universo de Jogos Vorazes tem muito a nos dizer, pois nos dias atuais, onde a nação brasileira segue perdida ou dividida entre discursos panfletários infundados, mal formulados, a saga serve como instrumento de reflexão para as massas.

Grandes mudanças sociais e políticas só acontecem com grandes sacrifícios e não só na esfera física. O conhecimento real da causa faz com que erros sejam minimizados e classicismos sejam superados em prol de uma sociedade igualitária. A semente está plantada.

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