Semana de Cinema – Mad Max (1979)
por Patricia
em 22/06/15

Nota:

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A última versão de Mad Max – Fury Road – já deu muito pano para conversa por aí. Teve gente que gostou e teve gente que odiou, teve gente que achou que tinha coisas de mulher demais e gente que parece que não entendeu nada. Com tanta conversa (e, sejamos sinceros, mimimi) nas redes sociais, resolvi voltar ao básico e começar do começo. Falo hoje, portanto, do Mad Max original: aquele que basicamente lançou a carreira do australiano Mel Gibson aos 23 anos – que seria eleito o homem mais sexy do mundo em um ano e o mais maluco algumas décadas depois.

Mad Max é um filme cru. E isso não tem nada a ver com os efeitos especiais que são simples (apesar de que efeitos simples na época era a norma independente das intenções do filme). Não. Essa sensação vem principalmente do fato de que o filme tem poucos diálogos e deixa o espectador naquela posição intrigante de se virar para entender o que está acontecendo. Confesso que demorei uns bons minutos para finalmente entender que estamos falando de um futuro distópico, sem leis e sem regras.

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Twitter: @PoderosoResumao

Max é um pai de família e trabalha no que se pode chamar de Polícia, mas não é exatamente o tipo de polícia que conhecemos. Os “policiais” tentam de alguma maneira prender os baderneiros e acabar com as gangues, mas não podem fazer muito sem um sistema como base: se não há leis, o que é legitimamente errado? Quem define os limites e as punições adequadas?

Vivendo na base da sobrevivência, as pessoas tentam criar algum senso de sociedade que já não existe mais. “Matar deve ser errado. Tirar algo de outra pessoa também”: algumas pessoas seguem essa linha. Outras, preferem ligar o bom e velho f**a-se e jogar tudo para o alto, aproveitando-se da falta de ordem.

A tal gangue de motociclistas faz o que quer e quando quer. E quem poderia impedí-los?

Max vira Mad de verdade (a saber: mad é nervoso, irritado, puto em inglês) quando sua esposa e filho são assassinados friamente pela gangue. Daí ele começa a usar couro e a dirigir um carro todo preto tunado (ainda se usa essa palavra? Não sei se ela ficou parada na década de 2000 – me avisem) e pronto para deixar qualquer motoca para trás. E é assim que Max vai tentar restabelecer alguma ordem para si mesmo agora que perdeu tudo – literalmente. Ele pretende se vingar e caçar os assassinos.

A premissa é nova? Não, e já não era em 1979 quando o filme foi lançado. Algumas cenas me lembraram muito dos velhos filmes de bang bang onde os diálogos eram escassos e as cenas de ação ditavam todo o ritmo do filme. As expressões faciais, as armas, os carros (nesse caso), o fogo e etc, contam mais a história do que os próprios atores. E é por isso que o enredo é bem simples: temos o contexto, os bandidos e os mocinhos. E é isso. Nem mesmo sabemos muito sobre o passado do próprio Max. E nem precisamos saber. Quando se vive em estado de sobrevivência, quem você foi é o que menos importa.

De verdade, é isso que faz de Mad Max um filme tão divertido quanto violento. Não me parece um filme criado para virar clássico, mas que com sua uma hora e meia de bombas, armas, motos, perseguições e um jovem Mel Gibson, virou um clássico em seu próprio direito. Não é a toa que lançou moda, inspirou outros filmes e deu uma carreira de sucesso ao seu astro principal.

Aliás, alguém mais fez a relação com um certo filme de terror na cena em que Max algema um dos bandidos em um carro prestes a explodir, lhe entrega uma serra e diz que ele pode serrar a algema ou o próprio tornozelo? As cenas de perseguição de motos incríveis com carros modificados lembram alguma franquia recente que já lançou, sei lá, 897672 filmes?

Filmes despretensiosos tendem a parecer ainda melhores quando estamos inundados por filmes de super heróis extra-fortes e super poderosos com suas calças coladas e seus efeitos especiais megalomaníacos (não dizendo que são ruins, mas que às vezes são excessivos).

Assistir Mad Max em 2015 é como ver O Poderoso Chefão depois de uma novela da globo com sotaque “italiano”. É uma vibe diferente. Tem um estilo próprio. É quase como encontrar a fonte de onde beberam todos os filmes bad-ass que vieram depois.

Sensacional!

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Que é IMDb…

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2 Comentários em “Semana de Cinema – Mad Max (1979)”


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Rodrigo em 25.06.2015 às 07:57 Responder

Mad Max 1979 é o meu preferido da trilogia inicial. A anarquia e o estilo punk ficaram na minha memória. É o tipo do filme que você ama ou odeia. Realmente conheço pessoas que são loucas por esse filme, e outras, simplesmente detestam.

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Patricia em 25.06.2015 às 08:00 Responder

Oi Rodrigo, exato. Tenho sentido a mesma coisa quando falo com as pessoas desse filme. Vi o 2o recentemente, e o primeiro é melhor. Estou me preparando mentalmente para ver o 3o e cantar para sempre a música da Tina Turner. 😀


 

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