Semana de Cinema – Mulheres do século XX
por Bruno Lisboa
em 26/04/17

Nota:

 

Nos dias atuais muito se discute quanto ao papel da mulher na sociedade. Os machistas e retrógrados delegam a elas papéis secundários, relegando ao “sexo frágil” a realização de tarefas domésticas e de ser sombra do homem. Porém existem aqueles que tratam em pé de igualdade homens e mulheres, extinguindo a malfadada guerra dos sexos e compreendendo o real potencial existente em cada um de nós. Nesse sentido Mulheres do século 20 é um filme partidário desta segunda categoria.

Escrito e dirigido por Mike Mills (responsável pelos ótimos Impulsividade e Toda a forma de amor ), o filme é baseado nas memórias pessoais do diretor que crescera na Califórnia (EUA). O enrendo, ambientando em 1979, tem como ponto central a vida de Dorothea Fields (a excelente Annette Bening), uma divorciada dona de uma pensão, que encara o dilema de ter sido mãe tardiamente e vive em conflito com seu único filho, o adolescente Jamie (Lucas Jade Zumann). Para tentar transpor o enorme abismo entre mãe e filho, Dorothea pede ajuda aos seus inquilinos Abigail (Greta Gerwig), William (Billy Crudup), e a Julie (Elle Fanning), melhor amiga de Jamie, quanto a sua criação.

A medida em que narrativa avança presenciamos os dilemas pessoais vividos por cada um dos personagens, em especial os femininos, que são apresentados de forma didática e sem rodeios. Abigail é uma jovem e promissora fotógrafa, que saiu de casa para seguir seus próprios sonhos e convicções, mas que encara diariamente a morte devido a um raro câncer cervical. Já Julie é uma adolescente moderna que crescera de forma livre, sem a intervenção dos pais, e que tem o sexo e feminismo como armas revolucionárias. Ambas buscam, a partir de suas experiências pessoais, recriar o mundo ao seu redor e na mesma medida educar Jamie que se mostra fascinado e amadurece gradualmente.

Entrecortando a narrativa temos uma ótima trilha sonora (ouça aqui) que rivaliza gostos pessoais. De um lado temos hinos punks de bandas como The Clash, Raincoats, Suicide, Devo, Germs,  que representam a predileção de Jamie e Abigail pela sonoridade urgente, imperativa e caótica do movimento que florescera há pouco tempo e era a voz da juventude. De outro temos a delicadeza e elegância do jazz via canções de Sandy Willians, Benny Goodman e Louis Armstrong, artistas prediletos de Dorothea que crescera na era de ouro do gênero (anos 40 e 50). Inclusive a música é responsável por uma das cenas mais belas do filme. Na mesma a mãe e o mecânico se arriscam a ouvir Black Flag e Talking Heads, numa vã tentativa compreender a rebeldia do filho.

Por fim, Mulheres do século 20 é um longa divertido, tocante e na medida, mas funciona também como um autêntico manifesto feminista, pois trabalha de maneira pontual o papel revolucionário conquistado pelas mulheres que lutaram de maneira irrefreável pela mudança comportamental e ideológica da sociedade e hoje, mesmo que a duras penas, vislumbram uma cenário melhor do que o do século passado. Porém, a luta deve continuar já que muito há de ser feito.

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1 Comentário em “Semana de Cinema – Mulheres do século XX”


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Alondra Silva em 23.08.2018 às 12:11 Responder

Este filme é um dos melhores do gênero de drama que estreou o ano passado. É impossível não se deixar levar pelo ritmo da historia. O roteiro de Mulheres do Século 20 o converteu num filme bem feito. Considero que consegue o seu objetivo de nos informar e inclusive nos faz pensar sobre o tema. Adorei a trilha sonora, uma parte fundamental do filme. Um muito bom filme que vale a pena ver.


 

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