Semana de Cinema – Ninfomaníaca Parte 1
por Gabriel
em 29/03/14

Nota:

Ninfomaníaca Parte 1

 

Ninfomaníaca é a obra mais recente do diretor Lars von Trier, um longa que foi dividido em duas partes de duas horas cada. O roteiro é do próprio von Trier e a personagem principal é representada por Charlotte Gainsbourg, que já trabalhou com o diretor em Melancolia e Anticristo. Além de Gainsbourg, Stellan Skarsgard tem papel coadjuvante importante; outros nomes conhecidos são Uma Thurman e Shia LaBeouf.

O filme contou com uma campanha publicitária de alcance razoável, com as imagens de pessoas em momentos de êxtase sexual em frente a um fundo branco. As imagens se tornaram memes e montagens passaram a povoar as redes sociais, divulgando o filme.

A obra traz cenas cruas, que oscilam do sombrio mundo atual, onde a personagem principal nos conta sua vida, para o mais claro mundo dos seus flashbacks, vindos de tempos menos tristes que o diretor representa através de iluminação e maquiagem mais limpos. A personagem principal é encontrada na rua, em condições terríveis, por um homem que a leva para casa e começa a questionar a sequência de fatos que a levou até ali. É aí que começa de fato a trama do filme, com os flashbacks da vida de Joe, a personagem principal viciada em sexo.

A narrativa dentro dos flashbacks de Joe contrasta de uma forma interessante com o ritmo da sua conversa com o dono da casa em que se encontra nos tempos atuais. Nas cenas do passado, muitas coisas acontecem, o sexo é personagem principal e as cenas acontecem de forma objetiva. Na conversa que se passa nos tempos atuais, os dois personagens parecem ter todo o tempo do mundo e discorrem sobre os ocorridos com tranquilidade. A trama aborda a ninfomania como um ponto complexo do ser humano, ponto este que é mais frequentemente visto como motivo de piadas do que discutido como um assunto sério. E faz isso criando ao mesmo tempo um longa interessante, um roteiro que prende.

Assistir à parte 1 de Ninfomaníaca, no entanto, não é uma experiência completa. Por mais que as experiências descritas por Joe sejam pequenas estórias praticamente isoladas, que vão formando o contexto da personagem e às vezes se entrelaçando, o filme não tem um final. O que existe é uma separação feita por praticidade: como o filme era muito longo, foi dividido em dois. Isso faz com que a impressão final seja a de expectativa por algo que não está completo.

Ninfomaníaca trata de um assunto polêmico, sem vulgaridade, com um roteiro interessante e uma personagem principal que chega a cativar pela sua quase psicopatia em alguns momentos. A Parte 1 cumpre seu papel ao plantar as primeiras sementes, apresentar a trama e a forma como a estória será contada e gerar expectativa. Vejamos o que von Trier reserva para a Parte 2 (já lançada no Brasil), já que não será fácil se manter à altura da expectativa gerada.

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