Semana de Cinema – Ninguém é perfeito
por Patricia
em 24/03/14

Nota:

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Em Fevereiro desse ano, um dos melhores atores que já vi morreu de overdose: Philip Seymour Hoffman. Esse tipo de notícia, infelizmente, não é novidade no mundo artístico e o máximo de atenção que costumo dispensar é pensar “isso é triste.” Mas com Hoffman não pude deixar de pensar em quantas atuações fantásticas o cinema perdeu.

Por isso, achei que seria justo falar de um filme antigo (1999), mas que representa a base de minha admiração pelo ator: Ninguém é perfeito (Flawless). Aqui, Hoffman junta-se a um peso pesado magnânimo do cinema: Robert De Niro.

De Niro interpreta Walter, um segurança aposentado e um daqueles “machos de respeito”: ele não suporta gays, drag queens, prostitutas (menos a que dorme com ele), drogados e tudo o mais que o faça perceber que mora em um buraco cheio dessas pessoas ‘alternativas’. Ele é do tipo que pega as escadas quando algum gay está no elevador. Para ajudar ainda mais, em seu prédio vive uma drag queen que também dá aula de canto….para gays. Ou seja, muitas vezes ele acaba ouvindo aquelas músicas alegres e coloridas.

Hoffman é  Rusty – a professora de canto que também se apresenta como drag queen em um bar local.

As coisas mudam quando um grupo de bandidos invade o prédio procurando um dinheiro que lhes foi tomado. Ao ouvir tiros, Walter levanta e tenta se aproximar da cena, mas tem um derrame. Seu lado esquerdo fica paralisado. Incapacitado de fazer as tarefas mais simples, Walter tenta se matar mas não consegue puxar o gatilho. É seu momento mais vulnerável e humilhante para um homem que se acha tão superior.

O fisioterapeuta dele dá uma dica importante para tentar recuperar o controle do maxilar e conseguir falar novamente: aulas de canto. É aqui que a vida de Walter e Rusty se interligam. E não sei se preciso dizer que não começa com o pé direito. Por diversão, aqui vão alguns dos apelidos carinhosos que Rusty dá a Walter: cafajeste, imbecil, republicano (!!), fascista, amante de cheerleader (!!!!!), nazista. Então vemos que ele vai do mais simpático aos piores.

A coisa não começa bem mas, aos poucos, parecem se ajeitar.

E aí vem o enredo meio que esperado, uma história de redenção, superação de preconceitos, traumas e tudo o mais. É realmente uma história simples. É ridículo dizer que De Niro está ótimo no filme (ainda que seu personagem carregue diversos clichês). Isso é mais do que esperado – selo De Niro de atuação de qualidade. Mas Hoffman rouba a cena. Ele está simplesmente incrível como a drag queen no fundo do poço. Suas cenas são marcantes mesmo quando são simples.

Foi nesse filme que prestei atenção no ator mesmo já tendo visto seu trabalho antes no descomunalmente maravilhoso Perfume de Mulher. Hoffman era um ator de primeira linha desde o começo. Quem assistiu Capote (pelo qual Hoffman recebeu o Oscar de melhor ator) sabe do que estou falando. O filme Dúvida, que também conta com Meryl Streep, é outro filme que vale a pena conferir. Até mesmo seu trabalho em Jogos Vorazes 2, tinha um tom dramático que somou ao filme.

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Hoffman, certamente, merece uma atenção especial de quem ainda não conhece muito de seu trabalho. Hollywood perdeu muito, quem gosta de filmes perdeu muito, mas para nossa sorte, filmes duram para sempre e o ator deixou algumas atuações mais do que memoráveis.

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