Semana de Cinema – Norte e Sul (Mini-Série)
por Patricia
em 15/12/14

Nota:

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Hoje falo de algo diferente aqui no Poderoso. Não é um filme, não é um documentário. É uma mini-série.

Em 2004, a BBC fez uma releitura do estupendo, incrível, maravilhoso, sensacional Norte e Sul da Elizabeth Gaskell. Li o livro esse ano – resenha aqui – e fiquei totalmente encantada. Não sabia muito sobre a autora ou sobre a estória, mas foi uma daquelas surpresas incríveis. Tão incrível que entrou para minha lista de livros preferidos sem nem pestanejar.

Para os que estão com preguiça de ler a resenha do livro – tsc, tsc, tsc – vou resumir muito o enredo aqui: Margaret Hale e sua família mudam-se de Helstone no Sul para Milton no Norte. Helstone era um paraíso campestre – muito verde, muito tempo fazendo nada, muitas flores no quintal. Milton é cinza, industrial, cheia de miseráveis. O pai dela começa a dar aulas para o Sr. Thorton, o mais rico e influente industrial da região. Toda a filosofia de Margaret é colocada em xeque quando ela começa a perceber os efeitos do capitalismo que impera no Norte, as relações sindicais e como tudo isso está ligado ao Sr. Thorton.

Claro que tem romance, mas o cerne da história não é esse. Isso é o pano de fundo para um debate muito mais intenso e necessário. As relações de classe, a desumanização dos humanos enquanto começava a humanização das máquinas, a mudança de valor do dinheiro e do trabalho; e muito mais. O livro em si tem quase 500 páginas que, para os que gostam da temática, é digno de devorar. Não é apenas que ela reflete a sociedade de sua época com maestria, é que todo o livro poderia acontecer hoje sem muitas alterações. Essa é uma consideração importante dos motivos que levam Norte e Sul a ser um digno clássico.

Mas essa é a semana de cinema e vamos falar da adaptação da obra que a BBC fez para a telinha.

A mini-série tem quatro capítulos de mais ou menos 50 minutos cada. São bem divididos, não quebrando muito o enredo quando cada um termina. Assisti os 4 na sequência, sem cansaço. A min série sustenta muito bem uma maratona.

A caracterização é ótima, figurinos básicos de época, mas o mais sensacional dessa mini série pode ser resumido em duas palavras: Richard Armitage (sim, o Thorin de O Hobbit). Não é que eu sou fã de Armitage. É que o Sr. Thorton que ele cria aqui foi muito além do que eu tinha imaginado enquanto lia o livro. E olha que adorei o cara, apesar de tudo (sem spoilers). Confesso que hoje tenho muita dificuldade em escolher entre Mr. Darcy e Sr. Thorton. É uma competição das boas. A atriz que faz Margaret, Daniela Denby-Ashe, não é conhecida fora da Inglaterra onde é famosa por participar de novelas. Ela dá conta de Margaret com tranquilidade e reproduz bem a evolução de mocinha boba para mulher de negócios que vai botar ordem no barraco, mas sem perder traços de bondade e simplicidade. Não virei fã incondicional da atuação, mas gostei – apesar de realmente achar que tínhamos que ter um limite para olhos arregalados e lábios semi abertos simbolizando mocinha inocente.

A mini-série deu conta do recado com tranquilidade, inclusive exagerado algumas cenas que no livro foram mais leves, mas que na televisão acabaram tendo um impacto maior graças a essa revisão. Nada de absurdo e não tirou o ritmo da história.

Para quem leu o livro, a mini-série é uma chance de rever essa obra maravilhosa. Para quem ainda não leu, vale para mostrar com bons detalhes o que você está perdendo. 😉 Leia o livro, veja a série. Gaskell criou algo que merece ser lido, visto e amado por muitos e muitos anos.

Digno de passar a noite em claro com litros e litros de café.

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