Semana de cinema: O caçador e a rainha do gelo
por Thiago
em 27/04/16

Nota:

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Atenção este texto contém spoiler (e muitas reclamações)!

Após “Branca de neve e o caçador” que rendeu cerca de 400 milhões de dólares em 2012, sendo 95,5 milhões só nos primeiros dias de exibição, uma sequência era algo mercadológicamente inevitável certo? Entretanto certas questões nos bastidores comprometeram os planos. Kristen Stewart, a branca de neve, é flagrada aos beijos com Rupert Sanders, o diretor do filme. Nessa época Kristen namorava o pseudo galã juvenil Robert Pattinson e Sanders era casado.

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Como fazer então uma sequência da história da Branca de Neve? Trocar a atriz? Arriscar tudo e fazer mesmo assim? Não, utilizar o outro personagem explorado na história, o caçador. Cris Hemsworth está em alta por interpretar Thor nos filmes da Marvel, então com alguém com carisma entre o público no elenco os problemas parecem estar resolvidos. Decidiram assim fazer algo diferente. No lugar de uma simples sequência, temos aqui um híbrido de filme de origem com filme de sequência. E ai os problemas começam.

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No começo do filme somos apresentados a rainha do gelo, Freya (Emily Bunt), irmã da Ravena (Charlize Theron) a rainha má do primeiro e deste filme também. O filme continua trazendo a origem de Eric, o caçador. Caso não lembre, é o mesmo caçador que na história tradicional é incumbido pela rainha má de matar Branca de Neve e trazer seu coração, mas decide não fazer e leva o coração de um animal no lugar (acho que de um cervo). No filme de 2012 ele teve sua importância aumentada e ajuda a heroína a derrotar Ravenna, a rainha má. Aqui  descobrimos que Eric foi criado pela rainha do gelo (cópia da Elsa de Frozen), como parte de um exército de crianças, que se tornariam um exército implacável, pois é proibido sentir amor. Depois de algumas tretas o filme usa o artifício super criativo de avançar no tempo e vira uma nítida sequência do filme de 2012. Acrescente a isso o fato da rainha má estar viva e que Eric “o melhor rastreador” do reino tem uma esposa que ficou na primeira parte do filme mas volta neste, e o resto eu critico nos parágrafos seguintes.

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Confusa a história né? Pois é, mas estes nem são os grandes problemas aqui. Após os problemas de pré produção os produtores escolheram como diretor Cedric Nicolas – Troyan, responsável pelos efeitos visuais do filme de 2012 (muito bonitos por sinal), e neste filme sobre o caçador ele faz sua estréia como diretor, além de ser o diretor do próximo Highlander (medo).

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É nítido que o filme apresenta problemas sérios de direção, creio que por falta de experiência do diretor, ou sei lá por qual motivo. Como exemplo temos um festival de erros de continuidade, mas não do tipo que precisa ver de novo pra perceber e sim daqueles que dão um bug na sua cabeça. Continuando com os problemas temos a atuação de Cris Hemsworth, ele não é um bom ator, em Thor, com boa direção, efeitos especiais, acompanhado de grande elenco e com pouca roupa ele funciona, mas como personagem principal de um filme com um diretor estreante não dá.

Resumindo a ideia do parágrafo anterior, o grande problema do filme é a junção de um diretor ruim com um ator ruim como protagonista. Isso traz cenas estranhas, falas que não colam, como exemplo colocar nosso protagonista pra tentar alívios cômicos com seu par no filme, Sara (Jessica Chastain). Lembro dela atuando extremamente bem em “Histórias Cruzadas”, ótimo filme por sinal.

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Pra finalizar os efeitos especiais neste filme não são tão especiais assim, como a montaria da rainha de gelo. Entretanto os anões estão muito bem feitos, esse é o maior mérito do filme. Além disso as atuações da dupla de vilãs é muito bom, mérito das atrizes.

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Agora vale falar do roteiro, feito por Evan Spiliotopoulos (sem grandes filmes no currículo) e Craig Mazin (roteirista de comédias como Se beber não case 2 e 3). As motivações e soluções para problemas são fracas e forçadas, o apelo emocional não emociona, as piadas não funcionam, e os clichês se amontoam. Você pode até brincar com seus amigos de adivinhar a próxima fala de qualquer personagem, e provavelmente acertará. É tudo tão óbvio que irrita.

Gostaria de deixar o filme de lado um pouco para levantar um questionamento. O que está acontecendo com a indústria do entretenimento? Não digo sobre o cinema como um todo, mas sobre a parte do entretenimento mesmo, principalmente na parte literária e das películas.

Vou me ater aos filmes, afinal estamos na semana de cinema. O primeiro ponto está na falta de suspense, já se sabe tudo antes mesmo de ver o filme. Trailers e mais trailes que revelam tudo para um olhar mais atento. Histórias mastigadas que não te exigem o mínimo de esforço mental.

Estamos emburrecendo? Estão nos emburrecendo ou será que estou simplesmente virando um tiozão chato e implicante. Enfim, se também tem este tipo de percepção sobre o cinema blockbuster atual comente no post, não me deixe sentindo como um tio chato e reclamão.

Se possível, bom filme a todos.

Obs: depois disso não precisa explicar meu mísero um café aguado né? Dedico ele aos efeitos especiais utilizados pra criar os anões e é só.

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